Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 18/02/2021

Segundo a mitologia grega, Hefesto, filho de Zeus e de Hera, foi lançado em um abismo pela mãe, uma vez que, por ser deficiente físico, representava vergonha para a deusa . Para além da ficção, embora o mito represente o tratamento destinado às pessoas com deficiência na antiguidade, ainda na sociedade hodierna,  práticas preconceituosas que discrminam e incapacitam essas pessoas são recorrentes. Dessa forma, o preconceito contra os deficientes aliado à infeciência da constiuição brasileira, apresentam-se como obstáculos à garantia da qualidade de vida deles.

Nesse contexto, no filme " Extraordinário" são retratados os estigmas enfrentados por Auggie, um garoto de 10 anos com uma síndrome rara, que, ao inciar sua vida escolar, é questionado pelos colegas de classe sobre as suas capacidades intelectuais por ser deficiente. Assim, programas televisivos que satirizam os diversos tipos de deficiência, expressões verbais cotidianas de teor capacitista e a falta de representatividade midiática, por exemplo, são fatores que corroboram para a construção de ideias preconceituosas no subconsciente do corpo social. Nesse viés, a democratização de conteúdos que combatem e desmistificam o capacitismo, como os produzidos pela Cacai Bauer, influenciadora digital com síndrome de down, são essenciais para garantir a inclusão de todos.

Ademais, conforme o filósofo Voltaire " O preconceito é uma opinião não submetida à razão". Nesse sentido, o Estatuto da Pessoa com Deficiência busca assegurar condições de igualdade e inclusão social. Todavia, os estereótipos enraizados na cultura do país que pressupõe a ideia de inferioridade ou de incapacidade em relação às pessoas com deficiências as privam da participação social plena. Tal panorama é evidenciado pela pesqusa do IBGE, segundo a qual apenas 1% do mercado de trabalho brasileiro é ocupado por indíviduos com algum tipo de deficiência.

Portanto, a fim de mitigar o capacitismo no Brasil, é essencial que o Governo promova palestras em praças públicas, por meio da contratação de psciopedagogos e de influenciadores com deficiência que abordem a importância da inclusão das pessoas com deficiência à sociedade. Dessa maneira, eles poderiam desmistificar devidamente as ideologias capacitistas ainda existentes. Desse modo, o cenário do filme “Extraordinário” estaria mais distante da realidade do país.