Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 11/01/2021
O livro “O Corcunda de Notre-Dame” relata a história de Quasímodo, um homem que possui deformações pelo corpo e que luta para ser aceito em uma sociedade rigorosamente preconceituosa. Análoga à vida do personagem, a realidade de pessoas com deficiência na atualidade também é caracterizada por um combate às adversidades impostas por uma comunidade excludente. Nesse sentido, muitos são os desafios para enfrentar o capacitismo em questão no Brasil, como a negligência governamental e a influência negativa da mídia.
De fato, a inobservância do Estado perante a necessidade de democratização de acesso aos direitos primordiais para pessoas com deficiência, infelizmente, é um entrave para a diminuição do capacitismo no país. Isso se dá, uma vez que muitas instituições da sociedade não possuem adaptações para indivíduos que não se adequam ao padrão imposto culturalmente. A Constituição Federal de 1988 assegura direitos igualitários à liberdade, à educação, ao lazer, entre outros que modelam a vida digna de um cidadão. No entanto, isso não é percebido na prática e muitos brasileiros sofrem com o capacitismo, sendo preteridos pela sociedade, justamente, pela dificuldade do alcance de vários direitos. Dessa maneira, é imprescindível que essa problemática seja solucionada.
Ademais, a indução midiática negativa que repercurte o preconceito enraizado acerca de pessoas com deficiência agrava essa conjuntura no Brasil. Esse fato ocorre, visto que muitos programas destinados ao entretenimento não abordam, ou se abordam o fazem de modo discriminado, a situação de pessoas deficientes na sociedade. Segundo uma análise de 280 seriados norte-americanos da fundação Ruderman Family, entre os anos de 2016 e 2018, metade deles possuía personagens que apresentavam algum tipo de deficiência, porém ela era retratada como indesejada e triste. Essa observação demonstra o quanto o capacitismo está enraizado ainda na cultura mundial e que, lamentavelmente, a indústria de comunicação influencia seus usuários a manterem esse pensamento por meio do consumo de ferramentas de entretenimento que o contêm. Dessa forma, é fundamental que a representação positiva de indivíduos com deficiência aumente no meio midiático.
Por conseguinte, são evidentes os desafios do combate ao capacitismo em questão no Brasil e que medidas devem ser aplicadas para que esses impasses sejam minimizados. Para isso, o Governo Federal deve promover o acesso democrático aos direitos constitucionais para a população com deficiência, por intermédio de políticas públicas que forneçam a remodulação estrutural de instituições, como escolas e ambientes de lazer. Isso se dará a fim de que os que sofrem com o capacitismo sejam encorporados na sociedade e, assim, não precisem viver como o personagem Quasímodo.