Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No início de 1940, foi implementado pelo regime nazista o projeto “Aktion T4” que teve como objetivo matar milhares de pessoas com deficiências físicas e mentais, pois elas eram vistas como insignifcantes pelos nazistas. Atualmente, não há casos de tamanha brutalidade como existia na Alemanha em 1940, porém, o preconceito contra pessoas com deficiências físicas e mentais vem aparecendo em diversos modos, por meio de insultos referentes a condição física e mental e julgamentos pejorativos que deduzem uma ideia errônea sobre a falta de capacidade para exercer diversas atividades que uma pessoa sem algum tipo de deficiência poderia fazer. Dessa forma, esses tipos de preconceitos criam vários desafios para o combate ao capacitismo, principalmente no Brasil.
Nesse contexto, ressalta-se que o capacitismo é traduzido como o preconceito das pessoas que subestimam a capacidade de outra pessoa em função de uma deficiência, não sendo vistos como normais. Com base nisso, diversos influenciadores digitais que são vítimas do capacitismo como, por exemplo, a influencer digital Lorrane Silva, que possui uma síndrome não identificada relacionada a displasia óssea, vêm desmistificando esse preconceito e explicando o que ele pode provocar às vítimas. À vista disso, é notório que esse preconceito vem tomando espaço para discussão na sociedade, trazendo um assunto tão importante para uma oportunidade de quebrar esse tabu.
Ademais, vale destacar que o ceticismo sobre a capacidade cognitiva e motora de quem possui deficiência, ocupa o papel de destaque no que se refere às barreiras que impedem o combate ao capacitismo. Pode-se afirmar que, a nova Política Nacional de Educação Especial, oficializada em novembro de 2020, que tinha com objetivo flexibilizar o ensino às Pessoas com Deficiência (PcD), ampliou a exclusão social da PcD, pois ela abriu espaço para que as instituições educacionais dificultem o acesso ao ensino do pessoa com deficiência. Desse modo, a má formulação da lei que tinha como foco incluir a PcD, mostrou-se muito segregacionista. Sendo assim, há necessidade de reformulação da lei em defesa da PcD para que ela seja inclusa sem qualquer preconceito.
Torna-se evidente, portanto, que existem muitos desafios para combater o capacitismo no Brasil que precisam ser solucionados. Em razão disso, o Ministério da Educação e a Câmara dos Deputados da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência precisam elaborar leis detalhadas que incluam a PcD sem que haja espaço para a segregação das pessoas com deficiências, promulgando artigos que explicitem a necessidade de inclusão no ambiente educacional, social e de trabalho. Com esse feito, não existirá leis nem ações que amentarão o capacitismo na sociedade brasileira, além de permitir que o capacitismo seja extinguido gradativamente.