Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
A constituição de 1988, impede – ou deveria impedir - por meio de lei uma grave mazela que se perdura por séculos na sociedade brasileira: o preconceito. Nesse contexto, o Brasil ainda se mostra extremamente atrasado nesse quesito, pois o capacitismo ainda perdura na sociedade verde e amarela. Nesse viés, o modelo educacional brasileiro não contribui para a amenização do problema e a sociedade não se mostra capaz de enxergar uma pessoa acometida por uma deficiência como um indivíduo capaz de realizar ações como uma pessoa “normal”.
A princípio, as escolas não buscam incluir alunos considerados “especiais” e isso contribui para a formação de preconceitos. Nesse sentido, Paulo Freire educador brasileiro, dizia que a educação tem o poder de transformar o homem e ao longo prazo esse homem teria o poder de transformar a sociedade. Sob esse prisma, as instituições de ensino brasileiras estão extremamente focadas em preparar o aluno para uma prova de ingresso à faculdade, mais do que em buscar transformar o indivíduo como um cidadão que respeita o próximo como idealizava o educador. Por consequência, esses adolescentes e crianças dificilmente serão influenciadas para que na vida adulta não se tornem preconceituosos. Sendo assim, é contraditório um país que se diz contemporâneo ainda possuir traços de discriminação intrínsecos em seu povo.
Além disso, a sociedade em si sempre busca uma forma de mostrar para a pessoa acometida por algum enfermo, distúrbio ou deficiência de que esse é incapacitado de realizar certas ações. Sob essa ótica, o seriado de televisão “O bom doutor”, mostra a quantidade de vezes em que o protagonista, que possui autismo, tem que mostrar que é capaz de exercer a medicina. Desse modo, o paralelismo com a realidade não só brasileira, mas também do mundo, mostram que enquanto esses indivíduos continuarem sendo tratados a beira da sociedade como eternos dependentes, nunca - salvo em raros casos – terão respeito, dignidade e uma vida normal incluídos na sociedade. Com isso, enquanto essa visão for realidade, a inclusão social dessas pessoas será utopia.
Portanto, o capacitismo é uma realidade que precisa ser combatida. Dessa forma, o Ministério da Educação, junto ao Ministério dos Direitos Humanos e das Mulheres deve promover uma educação que forme indivíduos mais inclusivos, por meio de programas educacionais, como palestras, que levariam o nome de: “Não sou apenas o que você enxerga”. Essa ação teria a finalidade de desconstruir uma imagem pré-concebida de que indivíduos que não são “normais” são incapazes de fazer praticamente tudo. Dessa maneira, o Brasil com o passar do tempo poderia passar a cumprir sua legislação.