Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
A série estadunidense “The Good Doctor” retrata a vida de Shawn Murphy, um jovem médico e portador do autismo, que além de enfrentar as dificuldades da especialização, ainda sofre com o preconceito dos colegas médicos, que subestimam suas capacidades. Nessa lógica, para além da ficção, sabe-se que a realidade de muitos brasileiros se assemelha à do protagonista da obra, tendo em vista os desafios para o combate ao capacitismo no Brasil. Sendo assim, cabe analisar as raízes desse cenário preocupante, como o e descaso do Estado o silenciamento social, para que se possa superá-lo.
Diante disso, cabe analisar, a princípio, que o capacitismo deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que tange à criação de mecanismos que impeçam tais recorrências. Nesse sentido, de acordo com o artigo terceiro da Constituição Federal, é dever do Estado combater os preconceitos de quaisquer naturezas. Contudo, sabe-se que tal preceito não tem se concretizado, uma vez que o poder público pouco tem feito para combater a desprezo com as pessoas portadoras de deficiência, como promover espaço de discussão acerca da realidade vivida por esse grupo e quais as formas de manifestação de preconceito para com elas. Dessa forma, é notório como o descaso governamental com as causas sociais, de maneira que promove a incabível intolerância aos deficientes.
Ademais, é importante pontuar que a falta de debate acerca do problema impulsiona a sua recorrência. Nesse viés, segundo o filósofo alemão Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam sua concepção a respeito do mundo. Assim, devido a uma escassez de discussões sobre os direitos dos deficientes e sobre as condutas capacitistas do corpo social, muitos indivíduos têm seu campo de visualização sempre limitado à sua própria vivência, sem nunca desenvolverem um sentimento de alteridade para com a vida e as necessidades do próximo. Logo, em virtude de uma sociedade que se cala frente as dificuldades alheias, há a perpetuação de um contexto em que a discriminações são comuns, realidade inaceitável e que deve ser superada.
Desse modo, é crucial a superação de tais empecilhos, para que se combata o problema no Brasil. Para isso, o Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos deve promover espaços de debates acerca das formas de preconceito contra as pessoas deficientes. Tal medida se dará por meio de postagens e vídeos ao vivo em redes sociais do Ministério, além de propagandas em canais abertos de televisão em horários nobres, em que pessoas portadoras de deficiências falarão sobre suas experiências com o preconceitos e a discriminação, a fim de que a população brasileira seja aproximada dos obstáculos vivenciados por esses indivíduos e a alteridade seja construída. Dessa maneira, espera-se que o capacitismo seja combatido e a realidade se afaste da exibida em “The Good Doctor".