Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 12/01/2021
O artigo 5º da Constituição de 1988 prevê igualdade de direitos a todos, sem qualquer distinção de natureza. Embora postulado, as lacunas na aplicação do conceito de isonomia dão espaço para problemas como o capacitismo, que é a discriminação contra pessoas com deficiência. Assim, cabe a análise acerca dos desafios para o combate da problemática e suas possíveis soluções.
A priori, é relevante destacar a herança cultural deste preconceito, que se faz presente ainda nos dias de hoje. Durante a Segunda Guerra Mundial, Hitler autorizou a eutanásia dos considerados “doentes incuráveis”, deficientes mentais e físicos. Não obstante, denominou-a de “morte de misericórdia”. Sob essa ótica, é inegável que a construção da sociedade se deu sob tijolos capacitistas.
Outrossim, a falta de representatividade também apresenta-se como um obstáculo para o combate ao capacitismo. Segundo a escritora Rupi Kaur, representatividade é vital. Entretanto, além da quase inexistente representatividade, quando esta se faz através das mídias, na quase totalidade dos casos apenas reforça a ideia errônea de que a deficiência é uma maldição e, como consequência, os estigmas do preconceito. Como exemplo, pode-se citar o filme “Como eu era antes de você”, em que o cadeirante Will prefere morrer a continuar vivendo tetraplégico.
Destarte, medidas são necessárias para resolver o impasse. Urge que o Ministério da Educação insira debates nas escolas acerca da problemática, através de palestras realizadas por PCD’s, a fim de romper com os estigmas capacitistas, de modo a criar a compreensão acerca das causas e formas do capacitismo. Outrossim, é fundamental que haja a mudança de postura das mídias, que devem adotar real representatividade em suas obras, de forma a servir como instrumento para que o preconceito seja rompido, e não endossado. Posto isso, as lacunas na aplicação do artigo 5º poderão ser, finalmente, fechadas.