Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Segundo o pensamento de Arthur Shopenhauer, os limites do campo de visão de um indivíduo determinam a sua compreensão do mundo que o cerca. Esse entendimento auxilia na análise dos desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil, visto que o Estado pouco faz no enfrentamento da problemática e que a comunidade marginaliza as minorias, o que promove um ambiente marcado por ideologias sociais geradoras de preconceitos, dificultando a inclusão dos deficientes no corpo social. Por isso, a busca por medidas a serem tomadas é imprescindível à garantia de uma nação com interações sociais mais justas.
Sob esse viés, evidencia-se que a ineficácia governamental se caracteriza como campo fértil para o dificultar o combate do capacitismo. À luz dessa ideia, não desenvolver políticas públicas de acessibilidade e inclusão desse grupo nas escolas e mercados de trabalho denuncia a omissão do governo em não seguir o princípio da isonomia que defende a estratégia de que na medida da desigualdade o tratamento deve ser de igual para iguais e desigual para desiguais. Por conseguinte, o que se vê é a exclusão desse grupo no contexto laboral, haja vista dados da Secretaria do Trabalho na qual relata que a quantidade de deficientes com carteira assinada nunca passou de 1%, tal fato que invisibiliza mais esses indivíduos e alimenta o capacitismo. Logo, o governo precisa realizar ações para mudar esse cenário.
Ademais, em resposta a inoperância governamental é o preconceito contra esse grupo. Assim, ao analisar a sociedade pela visão de Shopenhauer, nota-se que a visão é limitada, pois o próprio governo não promove ações de inclusão social desses indivíduos. Por consequência, é manifestado o preconceito em situações em que o deficiente é considerado como incapaz de: amar, estudar e até mesmo trabalhar, marginalizando-os. Além disso, essa vulnerabilidade os expõe a violências, em sua maioria, dentro do ceio familiar, segundo dados do Disque 100 – Serviço de denúncias do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que registra mais de 11 mil deficientes vítimas de violência doméstica. Logo, há uma clara reprodução dos equívocos sociais herdados no país da exclusão. Destarte, infere-se que existem barreiras a serem superadas no cenário do combate ao capacitismo. Cabe ao Governo, portanto, investir em políticas públicas para as pessoas com deficiência – se baseando no princípio da isonomia pra garantir a inclusão – por meio da obrigatoriedade de cada empresa destinar 20% das vagas de funcionários para as pessoas com deficiência, a fim de diminuir a discriminação e incluí-los na sociedade. Dessa forma, o preconceito vai ser descontruído, pois as barreiras que limitam as visões das populações serão diminuídas.