Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Promulagada pela Organização da Nações Unidas em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o bem-estar social. Entretanto, o preconceito contra pessoas portadoras de deficiência - mais conhecido como capacitismo - é bastante presente na sociedade, fazendo com que essa parcela da população não desfrute dessa garantia universal na prática. Dessa forma, cabe analisar como a falta de representação e a cegueira social contribuem para a perpetuação desse problema.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a pouca visibilidade dada a pessoas com deficiência na mídia é uma forma de violência social. Esse fenômeno, descrito pelo sociólogo Pierre Bordieu, é velado e não usa da força física para violentar, e trata-se de uma forma de oprimir - praticada pelos mais privilegiados - os grupos menos favorecidos. Isso é evidenciado quando há pouca ou nenhuma representatividade dessas pessoas na televisão, por exemplo. Sendo assim, é necessária a inclusão desses indivíduos, com o objetivo de acabar com essa mentalidade retrógrada.
Em segundo plano, é cabe analisar que esse pensamento está intimamente ligado às questões comunitárias. Nesse ínterim, a cegueira moral, abordada por José Saramago em seu livro “Ensaio sobre a Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais, fomentada pelo interesse próprio, insensibilidade e falta de empatia. Sob esse viés, percebe-se que esse conceito se faz presente na questão do capacitismo, pois é um problema que possui pouca visibilidade na atualidade. Diante disso, a efetivação da cidadania plena do indivíduo é prejudicada.
Portanto, é necessário intervir nessas caudas para que o entrave seja superado. Dessa forma, as mídias devem abordar a questão do capacitismo - já que o seu silenciamento acaba perpetuando essa foma de violência - por meio de filmes, séries e novelas, a fim de superar o preconceito sofrido por tal parcela da população. Além disso, o Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos deve promover, por intermédio de suas redes sociais oficiais, perfis de influenciadores digitais que possuam deficiências e que falem sobre o problema, com a finalidade de dar voz a essas pessoas e, consequentemente, fazer com que seu direito ao bem-estar social, garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, seja efetivado.