Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 21/09/2021

De acordo com o filósofo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, composta por partes que interajam entre si. Desse modo, para se obter um pleno funcionamento do meio social é necessário mantê-lo igualitário e coeso. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, visto que ainda há desafios para combater o capacitismo no país. Isso é possível, devido à falta de empatia, além da criação de um padrão, favorecendo assim um cenário de iniquidade.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de empatia como um dos principais desafios no combate ao capacitismo no Brasil. Conforme a filósofa Hanna Arendt, “quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada”. Nesse viés, os cidadãos deficientes além de terem que se adaptar as suas limitações, ainda precisam enfrentar desafios desnecessários, como ter suas doenças usadas como xingamentos e não possuírem ambientes públicos adaptados as suas condições. Assim, faz com que esse público se sinta mais excluído e veja sua diferença como algo negativo. Dessa forma, acaba perpetuando-se o capacitismo.

Ademais, o padrão emerge como um entrave determinante no combate ao capacitismo no país. Segundo o filósofo Rousseau, “o homem nasce livre, mas por toda parte se encontra acorrentado”. Nessa perspectiva, depreende-se que a padronização das características que uma pessoa deve obter aprisionou os cidadãos deficientes, uma vez que proporcionou o desenvolvimento de preconceitos e estereótipos com esses indivíduos, como inválidos e sem capacidade, que foram enraizados e que são propagados até hoje. Com isso, essas pessoas enfrentam maiores dificuldades para adquirirem um emprego e sofrem com a falta de representatividade na sociedade. Dessa maneira, torna-se o combate ao capacitismo uma realidade cada vez mais distante de ocorrer.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigarem essa problemática. Para isso, é preciso que o poder público, como regulador social, por meio de políticas governamentais, adéque as áreas públicas a todas as pessoas e promova campanhas de conscientização sobre a importância da inclusão dos cidadãos com deficiência, a fim de que todos possam ter os seus direitos garantidos. Além disso, é imprescindível que a mídia, como difusora de informação, através de propagandas e ficções engajadas, inclua indivíduos deficientes em várias áreas de atuação proporcionando maior representatividade a esse público, de modo a findar os preconceitos e estereótipos criados. Desse modo, contribuindo para a concretização do pensamento de Durkheim.