Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
A obra “O Grito”, do artista Edward Much, evidencia um ser que aparenta sentir pânico e desconforto diante do desconhecido. Essa ilustração vai de encontro à ausência de combate ao capacitismo em questão no Brasil, visto que, ao contrário do personagem, a sociedade não se assusta diante dos desafios enfrentados nessa luta. Nesse sentido é evidente que esse panorama tem como origem a escassez de medidas governamentais acerca da visão capacitista. Assim, a falta de políticas públicas, bem como o individualismo agravam essa situação.
Vale destacar, a princípio, que a falta de politicas públicas é a causa notória da questão. Nessa perspectiva, Abraham Lincoln, célebre político americano, disse que a politica existe para servir à nação e não o contrário. Contudo, em relação ao capacitismo presente na sociedade hodierna, essa afirmação de Lincoln não se faz presente, uma vez que o Poder Público não serve o povo com ações, metas e planos que solucionem entraves, como a impunidade dos casos de discriminação, bem como a insignificante assistência para a existência de programas e propagandas televisuais que abordem o tema. Assim sendo, sem uma politica comprometida, o combate de tal fato é praticamente utópico.
Além disso, é imprescindível destacar o “Liquidismo Baumoniano” visivelmente presente na atualidade. Nessa perspectiva para o filósofo polonês Zigmunt Bauman, vive-se em uma sociedade individualista, a qual não se importa com os relacionamentos interpessoais ou problemas alheios. Sendo assim, as vitimas desse flagelo social, fruto da falta de empatia humana, muitas vezes, são alvos de olhares carregados de compadecimento, o que comprova a ideia do capacitismo, uma vez que deficientes e idosos são vistos como incapazes de contribuirem com a sociedade. Além disso, em outros casos são alvos de comentários preconceituosos, os quais são permitidos pelo meio social por serem vistos como brincadeira. Isso prova o descaso pessoal com os outros individuos e com as suas necessidades. Vė-se, dessa maneira, a importância de mudanças na perspectiva social.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Logo, o Ministério da Educação, por meio de uma parceria com as prefeituras, deve realizar palestras em escolas. Essa ação deverá ser compartilhada nas redes sociais das prefeituras no formato de “Live”, com o fito de atingir grande parte da população brasileira e trazer mais clareza a respeito da visão capacitista e o quão prejudicial ela é para a sociedade. Ademais, ao cidadão cabe o papel de repreender visões preconceituosas, a fim de, por meio de explicações amigáveis, buscar mudar o ponto de vista dos indivíduos que simpatizam com o pensamento capacitista. À vista disso, o entrave será vencido e o meio social será mais inclusivo.