Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o capacitismo, ou seja, a discriminação ou violências praticadas contra as pessoas com deficiência, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não na prática. Dessa forma, convém analisar o preconceito histórico e a negligência do Estado como desafios para o combate ao capacitismo no Brasil.
A princípio, é fulcral pontuar que as atitudes discriminatórias em relação as pessoas que possuem deficiência tem caráter histórico. Nesse sentido, dados históricos comprovam que, durante o século XIX, pessoas com deficiência eram exibidas nos chamados ‘‘shows de aberrações’’ em circos, assim, revelando a maldade humana com quem é diferente entre uma maioria. Consoante ao sociólogo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, de generalidade e de coercitividade. Desse modo, é possível constatar que a concepção capacitista é resultado de um passado extremamente preconceituoso e a sociedade atual precisa se conscientizar disso para que esse tipo de pensamentos não se perpetue.
Outrossim, vale, ainda, ressaltar que a ausência de medidas do governo para coibir o problema faz com que o capacitismo continue sendo uma realidade no país. Nesse seguimento, de acordo com o Artigo 8 da Constituição Federal Brasileira de 1988, é dever do Estado garantir à acessibilidade, à dignidade e o respeito aos cidadãos com deficiência. Entretanto, o que se nota no cotidiano é o oposto do que a constituição assegura, uma vez que a falta de acessibilidade exclui do convivio social as pessoas com deficiência que, segundo o Censo de 2010, são cerca de 24% dos brasileiros.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater o capacitismo. Logo, o colégio, com seu poder transformador, deve inserir debates nas salas de aula por meio de palestras ministradas por profissionais no assunto, a fim de desconstruir o preconceito e ensinar o respeito. Ademais, o governo, a partir do poder legislativo, deve criar leis para que os estabelecimentos e as instituições tenham acessibilidade para todos, estimulando essas ações através de incentivos fiscais, com o intuito de acelerar esse processo. Pois só assim os ideias iluministas estaram sendo postos em prática.