Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 16/01/2021
A série “Atypical” tem o papel social de gerar reflexões sobre assuntos importantes e pouco debatidos na sociedade, como o capacitismo, que se configura como a discriminação contra as pessoas com deficiência. Em vários episódios são retratadas cenas em que o personagem principal, um garoto com autismo, é subjulgado por seus colegas de escola. Fora da ficção, casos em que as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, física ou mental, são tratadas de forma preconceituosa e excludente é uma realidade no Brasil, haja vista a banalização das piadas pejorativas e a falta de políticas públicas voltadas para a inclusão dessa minoria no mercado de trabalho. Logo, é necessário analisar os desafios para o combate ao capacitismo em âmbito nacional.
De início, um dos problemas destacados é a normalização das piadinhas de cunho preconceituoso. Dessa forma, segundo o conceito “Habitus” do sociólogo Pierre Bordieu, o ser humano incorpora para si e reproduz ideias e padrões de comportamento observados frequentemente no corpo social. Desse modo, é inegável que se um indivíduo cresce em um ambiente em que as limitações de uma pessoa portadora de deficiência é motivo de chacota, ele tende a adotar tal posicionamento por conta da convivência em grupo. Como consequência disso, ocorre a banalização das piadas capacitistas em âmbito nacional. Nesse sentido, assim como é retratado na série “Atypical” muitas pessoas, como o personagem principal, sofrem com o preconceito e com a exclusão.
Além disso, é importante salientar que o Governo se torna negligente quando não cria projetos de inclusão voltadas para as pessoas portadoras de deficiência no ramo do trabalho. Nesse sentido, conforme a teoria contratualista de Rousseau, é dever do Estado assegurar os interesses que objetivam o bem maior para a sociedade, uma vez que a legitimação do seu poder depende da vontade do povo. Entretanto, a expansão de políticas neoliberais não busca priorizar os aspectos sociais, como a criação de medidas que voltadas para o combate ao capacitismo, tal como a implantação de cotas para pessoas com deficiência em grandes empresas. Como consequência da negligencia estatal, não ocorre a inclusão efetiva dessa minoria nos postos de trabalho. Prova disso são dados divulgados pelo site UOL, quem que afirma que a taxa de desemprego chega a ser de 80% maior entre as pessoas com deficiência.
Portanto medidas são necessárias para amenizar os problemas abordados. Diante disso, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos combater o capacitismo no Brasil, por meio de projetos que objetivam a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, mediante a implantação de cotas afirmativas, com a finalidade de garantir a igualdade e dignidade de todos.