Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 14/01/2021

No filme “A Convenção das Bruxas”, todas as bruxas são identificadas pela ausência de dedos nas mãos ou nos pés. Ao relacionar a falta de um membro à figuras aterrorizantes, o longa evidencia a visão capacitista da sociedade em relação aos indivíduos com deficiência, que, é resultado da má influência exercida pela mídia e da negligência estatal. Dessa maneira, essa realidade constitui um impasse a ser resolvido não só pelos poderes públicos, mas por toda coletividade.

Sob esse viés, pode-se apontar como propulsora do problema, a má influência midiática. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população em relação ao capacitismo , influencia na perpetuação do problema, não incluindo pessoas com deficiência em filmes e novelas. Desse modo, acaba passando para o público a ideia de que essas pessoas são inválidas para determinadas atividades.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a negligência estatal. Nesse sentido, o poeta Hideralgo Montenegro afirma que o papel do Estado é promover a justiça e a eliminação de toda forma de exploração e desigualdade. Entretanto, isso não ocorre na prática, visto que, o poder estatal não promove medidas que coíbam a recorrência do capacitismo na sociedade, como campanhas que incentivem a inclusão e o respeito à pessoas com dismorfia corporal, por exemplo. Assim, devido à tal postura do governo, a população desenvolve esteriótipos e acaba tratando com discriminação as pessoas que possuem corpos dismórficos.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para barrar o avanço da problemática. Dessarte, com o intuito de mitigar o capacitismo, cabe à mídia, grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião, por meio da inclusão de atores em seus projetos, conceder posições de destaque em comerciais e filmes às pessoas com deficiência , como o protagonismo em longas, por exemplo. Ademais, com o fito de minimizar a descriminação, cabe ao governo federal, por meio de campanhas publicitárias, demonstrar a importância da inclusão dos deficientes físicos no contexto social. Assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos do problema.