Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Na Roma Antiga, especialmente em Esparta, era comum bebês que nasciam com algum tipo de deficiência serem mortos, lançados em mares e precipícios, por serem taxados como incapazes e inúteis. Hodiernamente, no Brasil, pessoas com alguma deficiência enfrentam muitos desafios para serem vistas perante a sociedade como capazes e normais. Isso ocorre tanto pela falta de informação e preconceito da população como um todo, quanto pela falta de oportunidades e recursos para deficientes estudarem e adentrarem o mercado de trabalho.

Em primeira análise, como é exemplificado no filme “Extraordinário”, que conta a história de um menino que possui uma deformidade facial e por isso sofre bullying no seu dia a dia, o preconceito da população perante pessoas que apresentam deficiências é inegável. Aqueles que possuem corpos padrões olham para o que lhes é diferente e reagem com nojo, deboche, e, muitas vezes, de forma infantilizada, acreditando que deficientes são pessoas incapazes de realizar qualquer tarefa. Além disso, muitos utilizam termos que fazem alusão a deficiência como ofensa, para ridicularizar outros. Torna-se evidente, portanto, a falta de informação da sociedade sobre o que é ser deficiente e como o seu preconceito as afeta.

Ademais, segundo o IBGE, o número de pessoas com deficiência no país é de 6,7%, mas, o número de deficientes que consegue adentrar o mercado de trabalho é de apenas 1%. Diante disso, observa-se que essa parcela da população apresenta dificuldades para concluir sua vida escolar e se profissionalizar para trabalhar, muitas vezes por falta de estrutura nos espaços públicos ou despreparo das instituições e locais de trabalho para atender as necessidades desses indivíduos. Nesse sentido, deficientes acabam sendo higienizados da sociedade e, somado ao preconceito, acabam marginalizados e impedidos de viver suas vidas.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater o capacitismo no Brasil. O governo deve promover campanhas de nível nacional em parceria com a mídia a fim de conscientizar a população de todas as idades sobre o preconceito que sofrem pessoas com deficiência e como isso as prejudica. Os governos municipais podem, em parceria com escolas, promover palestras que desmistificam que deficientes são incapazes e limitados. Cabe também ao governo, planejar espaços públicos que atendam as demandas das pessoas com deficiência, garantindo que possam estudar e trabalhar. Somente assim o Brasil fará com que os deficientes sejam vistos de igual para igual com pessoas não-deficientes, sendo respeitados e tendo seus direitos à vida garantidos.