Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 16/01/2021

No desenrolar da cinematografia “Intocáveis”, é retratada a história de um deficiente físico que enfrenta diversas situações de discriminação, uma vez que ele era considerado incapaz de realizar diversas atividades. Analogamente, a ficção não diverge da contemporaneidade, tendo em consideração os negativos desafios, no Brasil, para acabar com o capacitismo. Nesse sentido, esse fator em questão, que deve ser combatido, provém não só da omissão do Estado, mas também do individualismo.                             A princípio, convém ressaltar a falta de medidas governamentais que enfrentem o capacitismo. Tal fato ocorre, pois, ainda que na Constituição Federal de 1988 seja previsto o direito ao tratamento sem preconceitos, a ausência de ações, como as campanhas, as quais retratem o quanto as atitudes de discriminação contra as pessoas que possuem deficiências pode ser prejudiciais, impede que essa norma constitucional, na prática, seja devidamente evidenciada. Nesse âmbito, observa-se a quebra do Contrato Social, proposto pelo filósofo Thomas Hobbes, o qual afirma ser dever do Estado manter a ordem e assegurar o cumprimento das leis. Logo, é inaceitável que a ocorrência de situações discriminatórias perpetue, tendo em vista que a intolerância enfrentada por algumas pessoas, apenas por possuírem a disfunção de alguma estrutura, pode acarretar no distanciamento social e, por conseguinte, no surgimento de vários problemas de saúde mental, por exemplo, a depressão.                                                    Ademais, cabe avaliar a busca pelo ganho pessoal acima de tudo como uma das responsáveis pela falta de acessibilidade tecnológica enfrentada pelos deficientes. De acordo com o filósofo e sociólogo Karl Marx, a busca pelo bem social em detrimento do coletivo incorre no aparecimento de inúmeras dificuldades para a sociedade. Dessa forma, nota-se que o contexto defendido pelo pensador não difere da contemporaneidade, dado que os criadores de redes sociais, em prol do próprio benefício, buscam atender, geralmente, apenas as necessidades da maior parte das pessoas, de forma que os deficientes são excluídos do acesso às redes digitais, por conta da escassez de ferramentas que facilitem a utilização dessa parcela da população aos aplicativos. Tal feito é evidenciado no site “Agência Brasil”, o qual retratou que menos de 14% das imagens dos aplicativos digitais contam com recursos de acessibilidade para deficientes.                                                                                                                                                                 Portanto, medidas são necessárias para a resolução da problemática. Destarte, compete ao Ministério dos Direitos Humanos - responsável pelos direitos nessa área - promover palestras, cujo tema, em detalhe, seria “juntos para combater o capacitismo”. Isso deve ser feito por meio das redes midiáticas do Governo Federal. Essa ação possui a finalidade de conscientizar os indivíduos a respeito da maneira que o preconceito com os deficientes pode ser prejudicial para a saúde mental dessas pessoas.