Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 14/01/2021

A série americana “The Good Doctor”, conta a história de Shaun Murphy, um jovem médico com transtorno do espectro autista (TEA), e os desafios que ele enfrenta diariamente para realizar o sonho de tornar-se cirurgião. Hodiernamente, o Brasil enfrenta dificuldades no que se refere à questão do combate ao capacitismo. Isso deve ser enfrentado, uma vez que a Constituição Cidadã de 1988 garante a todo cidadão o direito à igualdade de oportunidades, à dignidade e ao bem-estar social. Em face ao exposto, dois aspectos fazem-se relevantes: o enraizamento histórico do capacitismo e o impacto da falta de representatividade dos deficientes.

Em primeira análise, é lícito postular que houve no decorrer da história o enraizamento do capacitismo no corpo social. De acordo com o escritor Otto Marques, na Idade Antiga os indivíduos deficientes eram sacrificados ou encarceirados, e no século XX, durante o holocausto cerca de 200 mil deficientes foram mortos nos campos de concentração. Nesse sentido, percebe-se que os deficientes foram segregados e estigmatizados como indivíduos incapazes de tornarem-se independentes. É fundamental, portanto, que sejam tomadas as medidas cabíveis para solucionar a problemática.

Outrossim, é importante destacar que a falta de representatividade dessa parcela da população nos diversos setores tem impactos significativos, a exemplo da manutenção de uma sociedade segregacionista e desinformada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial tem alguma forma de deficiência. Sob esse prisma, nota-se que a representação desse público na indústria audiovisual, de modo a tratar dessa temática de forma realista tende a beneficiar esses cidadãos, uma vez que a representabilidade possibilita o empoderamento dessa população. Destarte, faz-se necessário promover a representação das pessoas com deficiência nos diversos setores sociais.

Por conseguinte, medidas são necessárias para resolver o impasse. Como forma de garantir isso,o Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Educação, deve desenvolver um projeto, nas escolas de ensino fundamental e médio, por meio de palestras sobre os impactos do capacitismo e a importância da representabilidade das pessoas com deficiência, com o objetivo de combater a discriminação e formar cidadão engajados. Dessa forma, poder-se-á impulsionar o desenvolvimento social e cumprir o que está previsto na Constituição.