Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Na saga literária que inspirou a série “Game of Thrones” (O Jogo dos Tronos), o personagem e anão, Tyrion Lannister, expressa como ele parte da necessidade de tornar sua condição uma “piada” para se sentir mais “confortável” e menos propenso ao julgamento alheio. De maneira análoga, fora da ficção, o capacitismo também é um motivo de desconforto para pessoas com deficiência, seja ela física, mental ou de qualquer outra ordem. Nesse sentido, no Brasil, tornam-se impasses à superação desse impasse tanto a questão da falta de maior representatividade desses indivíduos como, sobretudo, a desigualdade quanto ao seu tratamento no espectro social.
Em uma perspectiva inicial, é necessário ressaltar a escassa representatividade de pessoas com deficiência em livros, séries, desenhos e mesmo na história; tendo representações como os de “A voz do silêncio” e “Violet Evergarden” (com protagonistas surda e deficiente física, respectivamente) sido louváveis, mas ainda nem tanto numerosas quanto necessário. Sob essa ótica, a artista plástica Frida Kahlo, recentemente consolidada como elemento da “cultura pop”, teve sua própria experiência com a deficiência praticamente apagada pela indústria cultural. Em poucas palavras, Frida é preferencialmente representada (fantasias, caricaturas, produtos, entre outros) sem a característica (cadeirante) que lhe acompanhou pelo resto da vida, e que esteve presente enquanto ela produziu seus mais memoráveis quadros. Lamentavelmente, acontecimentos como esse apagam a memória e empobrecem a representatividade do indivíduo com deficiência e, por isso, fortalecem o comportamento capacitista.
Ademais, também é preciso fazer notar que, apesar do que consta no Artigo 5° da Constituição Federal - documento mais importante em território nacional -, que garante igualdade a todos os cidadãos brasileiros, existe desigualdade no tratamento de pessoas com deficiência no Brasil. Nesse prisma, políticas como a Política Nacional de Educação Especial (PNEE), que sugere a criação de escolas especiais para indivíduos com questões médicas como o autismo, divergem categoricamente na maneira como tratam essas pessoas, de modo que segregam muito mais do que incluem.
Dessa maneira, o capacitismo encontra suporte na pobre representatividade e na desigualdade no que tange o tratamento de pessoas com deficiência em sociedade. Portanto, é de responsabilidade do Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, a partir da instituição de amparo estrutural e didático obrigatório nas escolas, além da inserção simbólica da condição de indivíduos como Frida em materiais reevantes em suas áreas, como história ou artes, normalizar a ideia de deficiência tanto para os que convivem com ela, como para os demais. Assim, finalmente, o capacitismo poderá ser efetivamente combatido no país.