Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Consoante o filósofo John Locke, o homem nasce como uma página em branco que será preenchida ao longo da vida. A partir da premissa de que todos nascem iguais, devem, por isso, usufruir da isonomia de direitos. No entanto, ao analisar a vida dos deficientes no Brasil, é possível perceber que essa igualdade ainda não é efetiva e o capacitismo é um problema, seja pela falta de acessibilidade, seja pela forma como são tratados e estigmatizados.
Em primeira análise, a falta de adaptações estruturais aos diversos tipos de deficiência física existentes dificulta a inserção desses na vida cotidiana comum. Isso ocorre porque, muitas vezes, donos de estabelecimentos e até o Estado em ambientes públicos, negligenciam a necessidade dos deficientes para se locomoverem ou até acessarem determinados lugares para evitar gastos. Tal panorama fica claro ao observar a falta de rampas em bares, restaurantes, calçadas e a falta de sinalização sonora para pedestres na maioria dos sinais de trânsito, por exemplo. Devido a esses empecilhos, inúmeras pessoas com deficiência evitam sair de casa e ter uma vida social. Esse cenário rompe com a premissa de Thomás Morus ao dizer que “nenhum homem é uma ilha” uma vez que, observam-se muitos deficientes vivendo em suas “ilhas particulares” e evitando o convívio com a sociedade.
Além disso, a discriminação que as pessoas com deficiência - física ou mental - sofrem no mercado de trabalho dificulta a plena inserção delas nesse ambiente. Isso acontece, em muitos casos, pois independente da qualificação profissional da pessoa, o fato dela apresentar alguma deficiência já a torna vítima de discriminação e preconceito. Esse comportamento decorre devido ao estigma social sofrido por deficientes - de serem incapazes, por exemplo - o qual, segundo a definição de Erving Goffman, é “a situação do indivíduo que está inabilitado para plena aceitação social”. Tal estigmatização, associada à omissão do Estado, os deixam à margem da sociedade e, com isso, muitas vezes, desenvolvem depressão e sentimento de inferioridade diante do resto do corpo social.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de combater o capacitismo no Brasil. Para isso, cabe ao Governo Federal - por meio do Ministério do Trabalho associado às Secretarias Municipais de Trabalho - tornar obrigatório que todas as empresas e escritórios possuam um projeto interno de conscientização - com palestras e debates com psicólogos e pessoas com deficiências -, a fim de combater a discriminação no ambiente corporativo e aumentar a aceitação daqueles que possuem qualquer tipo de deficiência, seja física ou mental. Assim, será possível que a isonomia de direitos pregada por John Locke seja posta em prática.