Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 15/01/2021
A personagem Policarpo Quaresma, protagonista do romance pré - modernista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, tem como traço mais notável o nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, na realidade contemporânea, os desafios para combater o capacitismo - discriminação contra pessoas deficientes - torna o país tupiniquim ainda mais distante da situação ilusória idealizada pela figura principal da obra. Nesse sentido, pode - se afirmar que a negligência governamental e a falta de acessibilidade agravam esse quadro em território nacional.
Em primeiro lugar, convém destacar que, de acordo com o artigo 3º da Constituição Federal de 1988, constitui objetivo essencial do governo a promoção do bem de todos, sem qualquer tipo de preconceito. Conquanto, tal regalia não tem se evidenciado - na prática - quando se observa a ausência de medidas governamentais para combater a intolerância contra pessoas especiais no país. Esse cenário lamentável está estreitamente ligado ao fato de que a questão não é levada a sério pelo Estado, deixando que muitos indivíduos com deficiência sejam marginalizados da sociedade, perpetuando, assim, uma realidade inadimissível.
Ademais, é fundamental ressaltar a carência de projetos que promovam a alcançabilidade para pessoas deficientes como impulsionadora da intolerância com esses cidadãos em terras brasileiras. Pois, de acordo com o filósofo grego Aristóteles, as desigualdades precisam ser consideradas para que a sociedade seja integrada, ou seja, os iguais devem ser tratados como iguais e os desiguais como desiguais. Nesse ínterim, os indivíduos supracitados necessitam de um ensino assistivo, de locais de trabalho especializados e de adaptações de serviços governamentais para que quebrem as barrreiras profissionais ao longo da vida. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar na nação.
Portanto, conclui - se que é imprenscindível combater esses entraves no país tupiniquim. Para isso, é necessário que o Ministério da Cidadania (MC) - órgão responsável pela cultura, esporte e desenvolvivento social - e o Ministério da Educação trabalhem juntos para capacitar professores e outros profissionais educadores e criar instituições de ensino especializado, por meio da exigência de que todos esses trabalhadores recebam cursos para se adaptarem, além da disponibilização de locais, materiais e recursos tecnológicos que os auxiliem no processo educativo, a fim de que as pessoas com deficiências sejam integradas no mundo do conhecimento. Além disso, é preciso que o MC promova campanhas e palestras que induzam toda a sociedade a mitigar os casos de preconceito contra deficientes na conjuntura brasileira. Somente assim, tornará-se possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos presentes na carta constitucional.