Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Promulgada em 1988, com base nos Direitos Humanos, a Constituição Federal assegura a todos os cidadãos o direito à vida digna. Hodiernamente, contudo, nota-se uma contradição dessa garantia, uma vez que a ocorrência do capacitismo - discriminação ou violência praticada contra as pessoas com deficiência-, fere a dignidade de suas vítimas. Diante disso, faz-se mister analisar as causas dessa problemática, com o intuito de solucioná-la, dando ênfase à falta de debate na esfera social e ao legado histórico existente acerca dessa temática.
Sob essa ótica, deve-se pontuar que a falta de uma comunicação efetiva a respeito do capacitismo é um fator determinante para sua ocorrência. Nesse sentido, o sociólogo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa lógica, para se combater um problema como a atitude preconceituosa para com os deficientes é preciso se debater sobre o tema. Entretanto, o que se observa na contemporaneidade é um silêncio no que tange ao assunto, o qual, geralmente, é substituído por outras temáticas que são de maior interesse para a maioria da população, por exemplo, os esportes e a vida das celebridades. Dessa forma, a inexistência de um diálogo sobre o capacitismo cria um ambiente fértil para sua perpetuação.
Outrossim, a existência de um preconceito histórico em relação aos deficientes se configura como um complexo dificultador. Nesse ínterim, convém salientar o pensamento do antropólogo Claude Lévi-Strauss, o qual defende que só se pode compreender as ações coletivas do presente com base nos eventos históricos que as antecedem. Sob esse viés, é possível perceber a existência de raízes históricas na questão do capacitismo, haja vista que, no passado, com destaque à época medieval, as pessoas com deficiência eram tratadas como seres anormais e, muitas vezes, eram utilizados como objetos de entretenimento em circos e em eventos da corte real. Desse modo, a manutenção dessa visão preconceituosa na atualidade transgride os direitos constitucionais desses grupos.
Logo, é imperioso que medidas sejam tomadas para mitigar essa adversidade. Para isso, é preciso que o Ministério da Cidadania, em conjunto com a rede midiática - principal agente influenciador-, promova a sensibilização da população e a desconstrução de paradigmas preconceituosos , a fim de estabelecer uma sociedade livre do capacitismo. Isso deve ser feito, por meio da promoção de um amplo debate na esfera social, o qual ocorrerá a partir da disseminação de entrevistas e documentários nos principais veículos midiáticos, como a televisão e a internet, os quais contarão com a participação de pessoas com deficiência que falarão sobre suas realidades, de modo a conscientizar a coletividade nacional. Destarte, estabelecer-se-á um corpo social mais consciente, respeitoso e livre do capacitismo.