Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Durante o regime nazista, pessoas com deficiência eram exterminadas por irem contra ao modelo de perfeição da raça ariana. Atualmente, no Brasil, a visão capacitista, baseada no preconceito e violência contra deficientes, é um dos grandes desafios, pois consolida-os como limitados e, consequentemente, é refletido em barreiras sociais e estruturais que, evidentemente, necessitam de mudança.
Inicialmente, é importante destacar como as deficiências permanecem sendo ocultadas pela sociedade por fugirem de um molde de corpo e mente ideal, expresso em grande parte da população. Acontece, então, a ocultação dessas “diferenças”, pois, mesmo na escola, onde, na matéria de biologia, supostamente, deveria debater-se sobre o corpo humano, as doenças e anomalias que o envolvem a oportunidade de trazer conhecimento sobre esse assunto é descartada. Consequentemente, a falta de conhecimento sobre o real efeito psicomotor de tais deficiências sobre o corpo humano, deixa margem para que mitos e estigmas sobre a incapacidade dessas pessoas se reproduzam, gerando um intenso preconceito, como visto na série Atypical, em que o protagonista, autista, é, constantemente, ridicularizado e tem sua inteligência questionada. Logo, situações como essas refletem na realidade de várias pessoas que sofrem com exclusão social, bullying e preconceito por carregarem o estigma da incapacidade.
Ademais, a exclusão sofrida por deficientes atinge várias áreas de suas vidas, por exemplo sua dificuldade pelo deslocamento urbano, pois o governo enxerga-os como minoria, e, assim, não disponibiliza verbas suficientes para adaptar espaços a necessidades especiais. Nota-se, então, o design urbano recheado de diferentes níveis na calçada e semáforos baseados apenas na visão, os quais são elementos cruciais para a segurança dos cidadãos, mas se tornam problemas a deficientes visuais e motores.Desse modo, a típica atividade de ir e vir, previsto pela Constituição de 1988, para todos os cidadãos, se tornam um grande desafio a deficientes e prejudicam seu convívio social, um quadro desigualdades que necessita ser mudado. Logo, buscando quebrar preconceitos e facilitar a presença de deficientes no espaço urbano, medidas devem ser tomadas. Primeiramente, o Ministério da Educação deve expandir nos tópicos obrigatórios da disciplina de biologia, o estudo sobre possíveis doenças e anomalias do corpo humano que configurem como deficiência a fim de por meio do conhecimento romper a crença dos deficientes como incapazes e criar cidadãos mais empáticos com as diferenças. Já o Ministério da Infraestrutura junto a secretarias de infraestrutura municipais devem mapear as possíveis dificuldades dos deficientes e adaptar os espaços públicos a fim de garantir os direitos de locomoção de forma segura. Possibilitando, por fim, a superação desse cenário.