Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a empurrar uma enorme pedra morro acima para sempre. Todos os dias, Sísifo atingia o topo da montanha, contudo era vencido pelo cansaço e exaustão e, assim, a pedra rolava para baixo, o fazendo ter que recomeçar do início. Hodiernamente, no Brasil, é possível perceber que esse mito assemelha-se à luta cotidiana das pessoas com deficiência (PCDs), uma vez que o capacitismo é muito presente em vários ramos da sociedade prejudicando severamente esse grupo. Entre os fatores relacionados a essa problemática estão o preconceito social e a negligência estatal.
Convém salientar, em primeira instância, que o preconceito da sociedade afeta negativamente as pessoas com deficiências no Brasil. Isso porque as pessoas tendem a priorizar o padrão do corpo ideal e não estão abertas a qualquer tipo de diversidade e fuga desse modelo. Nesse sentido, é válido aplicar o conceito desenvolvido pelo sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, que defendia que os indivíduos quando, não devidamente orientados, crescem na sociedade vigente com pensamentos e atitudes individualistas. Dessa forma, as pessoas não demonstram empatia para com o próximo e nem respeito e valorização às diferenças, fazendo com que enxerguem as pessoas portadoras de deficiência como
inferiores e incapazes de realizar coisas naturais.
Ademais, é válido mencionar que a negligência do Estado corrobora para o preconceito contra as pessoas portadoras de deficiência. Na conjuntura nacional, tal realidade advém da falta de investimentos em projetos, como rampas e elevadores, que viabilizem o acesso desse grupo em alguns estabelecimentos e da falta de efetividade nas leis criadas como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e a Lei de Cotas. Esse cenário catalisa um baixo número de PCDs nos principais ramos da sociedade como o campo de trabalho, confirmando a visão das pessoas sobre a incapacidade dos indivíduos portadores de deficiência. Prova disso é que apesar da Lei de Cotas garantir uma porcentagem mínima na contratação de PCDs, dados de uma pesquisa feita pela revista UOL mostram que de 45,6 milhões de brasileiros portadores de deficiência, apenas 1% deles está no mercado de trabalho.
Fica claro, portanto, que o preconceito das pessoas e a falta de interesse governamental prejudicam a luta contra o capacitismo no Brasil. Dessa forma, é necessário que o Ministério do Trabalho fiscalize com mais rigor as empresas para que essas cumpram o que está na legislação e contratem mais pessoas com deficiências. Isso deve ser feito por meio do requerimento de um relatório ao final de cada ano para saber quantos PCDs foram contratados por cada empresa, e as que não cumprirem, podem receber multas. Para que, assim, os Sísifos brasileiros possam finalmente vencer o desafio de Zeus.