Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Durante o holocausto alemão, uma das premissas para a execução das atrocidades era a criação de uma raça superior e pura e, para isso, era necessário a extinção dos indivíduos considerados defeituosos. Este ideal, por sua vez, ainda perpetua-se na contemporaneidade, refletido no pensamento capacitista que, cada vez mais, difunde-se pelo Brasil, sendo necessário combatê-lo urgentemente, em prol de um país mais coeso.
Sob esse viés, a discriminação contra deficientes ocorre, principalmente, devido ao seu enraizamento no que o sociólogo Pierre Bourdieu definiu como “habitus”, o espaço socialmente compartilhado numa sociedade e que acaba por condicionar as ações dos indivíduos. Desse modo, o capacitismo faz parte do “habitus” brasileiro devido ao seu passado eugenista, ideologia difundida por meio das Sociedades Eugênicas durante a república velha das quais fizeram parte dezenas de médicos, biólogos e até escritores, como Monteiro Lobato, e que definiram os deficientes como um mal a ser combatido.
Ademais, outro empecilho a ser superado é a falta de ações inclusivas no Brasil. De acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, é garantido o principio da isonomia, ou seja, todos são iguais, sem qualquer distinção. Entretanto, para garantir a igualdade, é necessário, segundo o filósofo Florestan Fernandes, tratar desigualmente os desiguais. Dessa forma, a falta de políticas equitativas específicas para deficientes facilita sua marginalização e exclusão na sociedade, ao mesmo tempo que promove a continuidade da ideologia capacitista no país.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para combtaer o capacitismo no Brasil. Para tal, o governo federal, por meio da criação de um pacote de medidas inclusivas, como a criação de postos de trabalho exclusivos para este grupo e a adequação do espaço público para atender suas necessidades, deve integrá-los à sociedade como forma de demonstrar a importância destes indivíduos e, assim, descontruir a ideologia capacitista, promovendo uma nação mais igualitária e justa.