Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 15/01/2021

De acordo com o sociólogo alemão Habermas, incluir não significa trazer para perto, mas sim fornecer condições de desenvolvimento em conjunto. Entretanto, no Brasil, tal citação não é completamente compartilhada por uma fração significativa da população, pelo contrário, quando se trata de deficientes, a temática se torna indiferente ou, pior, desprezível — um impasse gravíssimo para a aptidão social dessa parcela anormal. Assim, é possível afirmar que não só a mentira propagada da igualdade entre toda a população brasileira, mas também a falta de empatia individual e acadêmica, fomentam o status quo contemporâneo do século XXI: a presença personificada do capacitismo.

Inicialmente, é necessário dizer que o discurso fingido de que todos são idênticos não passa de um pretexto para esconder a dor e insatisfação da classe limitada. Por exemplo, analogamente, o recente asserto  de que “somos todos macacos” é ridículo, pois não só atenua o problema do racismo no país, como mostra a imbecilidade coletiva em tentar suprimir as diferenças, ao invés de saber que existem e aceitá-las. A priori, é importante que a verdade — reconhecer as limitações alheias e, mesmo assim, com empatia e humanidade, auxilar — sucumba a uma mera frase de impacto social.

Ademais, outro impasse a se discutir concerne à questão do tratamento das próprias instituições sociais para com os deficientes de qualquer natureza. Conforme se mostra em diversos livros de biologia, muitas vezes a síndrome de Down, ou trissomia do cromossomo 21, é retratada pela denominação “aberração cromossômica” — a ciência com a sua irrefutável falta de sensibilidade. A partir desse ponto de vista científico, é difícil imaginar uma “aberração”, como afirmam os livros, convivendo com seres humanos.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministério atuantes, em consonância com ONGs de cunho humanitário e instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca não somente da valorização das diferenças do povo brasileiro, mas também do papel fundamental da ajuda pessoal na mudança de vida de alguém — uma atenção receptiva. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa da condição dos deficientes e, em conjunto, uma supressão do capacitismo na contemporaneidade.