Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Na série televisiva ‘‘The Alienist’’ é representada a sociedade norte-americana do fim do século XIX, a qual se caracteriza por ser altamente discriminatória no que tange às pessoas com deficiências. Analogamente, a sociedade atual ainda é permeada por essas atitudes preconceituosas, de forma a dar continuidade a processos ultrapassados de hierarquização baseada em elementos físicos. Nesse sentido, essa prática tem por causas a persistência do estigma discriminatório, além da negligência das instituições governamentais em combater esse problema.

Em primeiro plano, é fulcral destacar o papel da população no que diz respeito ao avanço do capacitismo. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, a ética é um valor social, no qual as atitudes pessoais são consideradas positivas quando puderem ser aplicadas como regras universais. Entretanto, a ética kantiana não se mostra vigente na sociedade brasileira, haja vista que diversas vezes os termos como ‘‘autista’’ e ‘‘demente’’ são utilizados de maneira pejorativa para indicar atraso mental e inferioridade cognitiva, o que corrobora o avanço do estigma capacitista.

Outrossim, é crucial pontuar a negligência do Estado como catalisadora desse óbice à alteridade. Segundo o escritor John Locke, o Estado é responsável por garantir os direitos inalienáveis ao homem, tais como a liberdade e a cidadania. Não obstante, a realidade brasileira mostra-se anômala ao esperado pelo literato, a exemplo de dados do site Globo, em janeiro de 2021, os quais indicam a Polícia Militar foi questionada duramente acerca da ausência de vagas para deficientes em seu concurso.

Destarte, é mister que o Estado tome providências nesse âmbito. Para isso, urge que o Ministério da Cidadania crie, por meio de verbas governamentais, um projeto de inclusão social de deficientes, o qual deve conter programas de ensino nas escolas das perspectivas dos afetados pelo capacitismo. Ademais, tal projeto deve trabalhar para garantir os direitos básicos para essas pessoas, para que não mais estejam submetidos à negligência. Só assim, ter-se-á o valor da ética kantiana.