Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 15/01/2021
O desenho animado “Peter Pan”, narra a história de crianças perdidas tendo que lidar com o seu temido vilão: o “Capitão Gancho”. Tal nome deve-se a deficiência em uma de suas mãos, a qual propiciou o uso do gancho no lugar. Infelizmente, a realidade brasileira não destoa dessa perspectiva, pois, inúmeras vezes, os deficientes são estereotipados de forma negativa. Nesse cenário nefasto, entende-se que, tanto as construções cinematográficas, quanto a cultura história do preconceito, sustentam o capacitismo no Brasil.
Em uma primeira constatação é crucial ressaltar o papel do cinema para o desenvolvimento do estereótipo do indivíduo portador de deficiência. No início do século XX, as primeiras produções da Disney passaram a retratar os vilões como portadores de alguma deficiência, enfatizando, ainda, que o rancor pela condição adversa poderia ser o causador da maldade, como no conto “Branca de Neve”, em que a bruxa má possui quatro dedos. De maneira análoga, no Brasil, percebe-se a dualidade na imagem acerca desses indivíduos, ou são tratados como heróis, batalhadores, ou são dados como incapazes e coitados. Esse fato demostra a falta de conhecimento sobre a cultura da corponormatividade, acentuando que o diferente é passível de julgamento, seja ele bom ou ruim. Ademais, torna-se imprescindível perceber a história durante os anos de preconceito. Nesse contexto, tem-se o período marcado pelo nazismo na Alemanha, que contou com o extermínio de milhares de deficientes a mando de Hittler. Esse fator, corroborou para o desencadeamento do ideal de que ser fora do padrão era errôneo. Além disso, no século XIX, era comum a visitação aos “Shows de aberrações”, apresentações com o proposito de expor e denegrir as pessoas com deficiência. Dessarte, compreende-se que a descriminação e violência advém de ideias normativas e excludentes, explicitando, ainda mais, a necessidade de mudança.
Portanto, medidas são necessárias para o combate ao capacitismo. É preciso que o Ministério da Cultura, juntamente com a ANCINE, por meio de parcerias com canais midiáticos e redirecionamento de verbas, realizem um curta metragem sobre a rotina de deficientes, mostrando as dificuldades, mas principalmente a normalidade do diferente. O mesmo deverá passar em canais abertos, a fim de alcançar o maior público e romper estereótipos. Assim, espera-se diminuir o capacitismo no Brasil e provocar questionamentos até mesmo sobre o gancho de um vilão de desenho animado.