Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Na obra literária de R. J. Palacio, “Extraordinário”, a personagem Auggie Pallman é um menino que passou por dezenas de cirurgias plásticas após nascer com um problema facial. Quando o personagem começa a frequentar a escola regular, aos 10 anos de idade, passa por diversas dificuldades e preconceitos, por parte dos colegas de classe. De maneira análoga, observa-se que na realidade brasileira atual também existem diversos desafios para o combate ao capacitismo na sociedade, como a ineficácia das leis e a mentalidade retrógrada da população.

Diante desse cenário, é notória negligência legislativa no país. Nessa perspectiva, o jornalista brasileiro, Gilberto Dimenstein, diz que “os direitos constitucionais residem tão somente na teoria”. Desta forma, mesmo a educação sendo direito de todos cidadãos, o Estado não está garantido-a de maneira democrática. Assim, jovens que possuem deficiências auditivas mentais e síndromes que dificultam a aprendizagem, não recebem o apoio fundamental e o auxílio que necessitam para aprender. Enfim, ferindo a equidade dos alunos, tornando a educação pública um privilégio.

Outrossim, observa-se a lenta mentalidade do grupo social. Nesse horizonte, segundo o filósofo prussiano, Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Seguindo esse pensamento, é indubitável que a inclusão nas escolas, das pessoas que apresentam alguma deficiência, está fragilizada. Consequentemente, a exclusão dessa parcela da sociedade está presente no ambiente de ensino, fazendo com que os estudantes criem preconceitos, tornando-os precursores do capacitismo na sociedade, atrasando a evolução intelectual no Brasil.

Urge, portanto, a necessidade de intervenções para minimizar tais empecilhos. Logo, cabe ao Governo Federal, juntamente com o MEC, disponibilizar verbas para as prefeituras, a fim de adicionar pedagogos especializados nas escolas, para acompanharem, com exclusividade, cada estudante que precisar de auxílio, devido a síndromes ou deficiências. Ademais, é dever da mídia apresentar programas televisivos com personagens e pessoas reais que possuam alguma deficiência, aumentando a diversidade nos meios audiovisuais, mostrando a importância de todos os indivíduos na convivência social. Por conseguinte, espera-se que, futuramente, o Brasil seja um país mais justo, igualitário e democrático.