Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 20/08/2021
“Por que bonita, se coxa?”, o pensamento de Brás Cubas em um dos mais importantes romances de Machado de Assis evidencia lamentavelmente uma realidade capacitista, que não se restringe somente ao texto, mas atua em várias esferas sociais. Nesse sentido, nota-se que, uma das principais causas desse comportamento é a ideia de um padrão de indivíduo, o qual provoca vários estigmas sobre as pessoas com necessidades especiais. Essa situação impacta negativamente a sociedade brasileira, pois atitudes capacitistas geram certos preconceitos, o que prejudica a inclusão das pessoas com deficiências, assim como, no bem-estar dos mesmos.
Em princípio, cabe destacar que desde a antiguidade sempre se buscou um padrão de comportamento e de corpos ideais, e que permanece enraizado na contemporaneidade. A vista disso, pessoas com necessidades especiais sempre estiveram as margens do corpo social, visto que, ao não se encaixarem nesses moldes devido a uma característica física ou mental, acabam sendo afetadas pelo estigma de não serem capazes de realizar atividades que são comuns as pessoas sem deficiências. Tal realidade, exemplifica uma sociedade que é incapaz de aceitar as diferenças e promover naturalidade, o que resulta em uma baixa participação social dos deficientes e a consequente permanência do problema. Ademais, outro aspecto a ser abordado se refere ao bem-estar desses indivíduos, dado que, acometidos pelo capacitismo precisam lidar com os impactos que essas ações provocam em sua própria aceitação e em seu conforto social. Tais atitudes questionam e diminuem as capacidades, valores e potencialidades de uma pessoa deficiente, gerando uma visão romantizada quando provadas errôneas. Um bom exemplo, encontra-se no filme “extraordinário”, o qual ao tentar abordar à história de superação de um garoto com uma deformidade facial a frequentar a escola, evidência também a diferenciação do personagem sobre tal ato, diferente da realidade que ao invés de exaltar as diferenças as pessoas com deficiência buscam ser tratadas com igualdades.
Depreende-se, portanto, que medidas urgentes devem ser tomadas no combate ao capacitismo. Deste modo, cabe ao Ministério da Educação em parcerias com veículos midiáticos a elaboração de campanhas, debates, palestras, que abordem as formas de capacitismo e suas consequências, tendo como alvo principal escolas e empresas, com intuito de promovendo mais igualdades tanto no âmbito educacional quanto no profissional. A partir disso, estigmas associados a pessoas com deficiências serão vencidos, assim não sendo mais comum pensamentos como de Brás Cubas.