Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 16/01/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, no livro “O triste fim de Poliarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do imaginado pelo personagem, uma vez que o capacitismo apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos sonhos de Policarpo. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descaso estatal, quanto da admissão popular. Diante dessa perspectiva, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeira análise, o desprezo governamental às diversas formas de agressão presentes no capacitismo evidencia a cultura de desrespeito às normas legais. Nesse viés, a Constituição Federal estabelece, no artigo 5°, a indiferença entre os indivíduos. Todavia, o direito previsto na Carta Magna se mostra um privilégio daqueles que não apresentam deficiências físicas ou mentais. Com efeito, aqueles que possuem necessidades especiais não são alcançados pela previsão constitucional quando suas diferenças são colocadas acima de quem são, o que mostra a inabilidade do Estado em cumprir a lei.
Ademais, a aceitação pela população ratifica que, embora o problema seja grave, não há movimentação popular para modifiacar esse triste quadro. Segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir: “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a ele”. Nesse viés, substancial parcela dos brasileiros é incapaz de perceber a gravidade do capacitismo na vida dessas pessoas e as consequências psicológicas, de relacionamento e sociabilidade. Essa conjuntura se mantém conforme descrito por Simone, o que apresenta grave problema social e perpetua a omissão denunciada na fala da filósofa. Assim, enquanto a admissão for a regra, a igualdade será a exceção.
Depreende-se, portanto, que ainda há entraves para que as prescrições constitucionais sejam medidas práticas e, assim, consolidar uma sociedade mais integrada. Logo, a mídia deve discutir o assunto com profissionais especialistas nessa área, por meio de programas televisivos de grande audiência. Nesse sentido, tal medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal, em parceria com as emissoras de televisão, a fim de mostrar as reais consequências do capacitismo, apresentar uma visão crítica e orientar os telespectadores a respeito do impasse.Dessa forma, será possível aproximar a conjuntura brasileira da sonhada por Policarpo Quaresma.