Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 24/02/2021

Na obra “Extraordinário”, a escritora RJ Palacio expõe as inseguranças e os desafios de um personagem com a síndrome de “Treacher Collins”, na qual leva ao deformamento do rosto. Logo, essa história evidencia a realidade de diversas pessoas portadoras de alguma deficiência, posto que elas sofrem diariamente com discriminações e violências psicológicas e morais. Ademais, a persistência desse deplorável cenário deve-se à falta de projetos de inclusão por parte do governo federal e à visão da sociedade brasileira de que esses indivíduos são inferiores e incapacitados. Dessa forma, é inexorável a análise dessa conjuntura com o intuito de combater o capacitismo no Brasil.

Em primeira análise, convém ressaltar que os deficientes são vítimas de preconceito desde os primóridos da humanidade, sendo, portanto, algo enraizado na sociedade global. É possível perceber o citado no livro “A Política”, do filósofo Aristóteles, que trata os aleijados como um empecilho para o desenvolvimento das cidades gregas e que esses deveriam ser eliminados. Entretanto, ao passar dos anos, essas pessoas passaram a ganhar mais direitos e autonomia, mas ainda assim são marginalizados e privados de liberdade.

Em segunda análise, a Constituição federal de 1988 assegura aos brasileiros com limites físicos a promoção do tratamento igualitário entre cidadãos. Todavia, é totalmente notório que esse direito é deturpado, visto que o sistema público educacional muitas vezes não possui ambientes e profissionais adequados para recepcionar jovens com necessidades especiais. Outrossim, um estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira relatou que houve um aumento de 10,8% de matrículas desses nas escolas entre 2017 e 2018, porém, ainda é considerado um número pequeno.

Verifica-se, então, a necessidade da inclusão dos deficientes na sociedade brasileira. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação incentive a inscrição nas escolas por meio de campanhas, a fim de motivar os portadores de necessidades especiais a enfrentarem o medo de frequentar um ambiente diferente. Paralelamente a isso, a mídia deveria realizar propagandas mostrando que deficientes são tão capacitados quanto os outros seres humanos, com o objetivo de conscientizar e desconstruir a imagem de que esses sujeitos são inválidos.