Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 07/02/2021
O filme “Birdbox” retrata um mundo apocalípto cujo principal perigo é o uso da visão. Através da personagem principal, são representadas as diversas dificuldades que um deficiente visual pode encontrar no dia a dia. Não obstante das telas, além desses empasses ainda existirem atualmente, a perpetuação da discriminação contra os deficientes no Brasil é uma realidade. Este fenômeno, reflexo de atitudes históricas, tem como consequência a segregação desses indivíduos além da falta de meios públicos que visem sua acessibilidade perante a sociedade, o que fomenta o capacitismo.
A princípio, a integração de deficientes junto a não-deficientes na atual conjuntura é algo recente no Brasil. Com o surgimento da constituição de 1988, declarou-se o primeiro passo para a educação inclusiva dentro do país. Entretanto, tal movimento era considerado restrito visto que somente algumas escolas poderiam unificar seus alunos não-deficientes junto a deficientes nas mesmas salas de aulas. Essa divisão, fez com que o indivíduo passasse a ser visto como anormal perante aos demais. Desta forma, sem a diversidade escolar, inibia-se o aprendizado social com o próximo e originaria o preconceito.
Além disso, a falta de consientização, inclusão e acessibilidade passam a ser reflexo de tais atitudes negacionistas. O documentário “200 anos de Braile no Brasil” exibe como o indivíduo pode se promover na sociedade sem se distinguir de outros através de meios fornecidos por ela mesmo. Essa atitude, revela que o deficiente mesmo que com suas limitações ainda é capaz de emancipar-se na sociedade. Porém, essa tendência é somente possível com a inclusão de materiais que visem a sua inserção no ambiente público. Deste modo, a socialização e a educação nos estágios primários tornam-se fundamentais para o deficiente, pois acarreta em sua independência e gera a compreensão deste indivíduo por todos.
Nesse contexto, com o objetivo de se resolver tais impasses, é de extrema importância a abolição do atual decreto proposto por Jair Bolsonaro que visa a segregação de alunos em escolas especiais. Ademais, é fundamental que o Ministério da Educação em parceria com o da Infraestrutura crie novos meios de inserção do deficiente em todo o país. Um deles, é o surgimento de um auxiliar especializado trabalhando em escolas públicas. Este auxiliar, com o objetivo de ajudar o deficiente a realizar as atividades propostas em sala de aula, trabalharia junto aos docentes, o que acarretaria na sociabilização e aprendizado sem limitações ao deficiente. Dessa maneira, com o estímulo da conscientização pela população nos estágios iniciais há a redução do capacitismo e a abertura para novas ideias que busquem unificar a todos.