Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 21/03/2021
Em sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor José Saramago ressalta a importância de ter olhos quando todos os perderam. Sob essa ótica, nota-se uma espécie de cegueira social, intrincada na sociedade, que impede os indivíduos de enxergarem problemas como o capacitismo. Nesse sentido, a desinformação sobre as habilidades das pessoas com deficiência (PcD) e o preconceito intrincado na sociedade são desafios para o combate às atitudes capacitistas. Desse modo, são prementes estratégias para impedir o avanço dessa problemática, em nome da integridade das PcD.
Nesse contexto, segundo o filósofo Locke em sua teoria da Tabula Rasa, o homem é um papel em branco que vai sendo preenchido ao longo do tempo. Analogamente, muitas pessoas são um papel em branco no que se refere à falta de informação sobre as pessoas com deficiência. Nesse sentido, tratar essas pessoas como um exemplo de superação, aliado ao fato de que as pessoas utilizam isso como uma forma de motivação, assim inferiorizando o deficiente. Além disso, muitas pessoas possuem a visão de que a deficiência é algo que deve ser corrigido. Desse modo, algumas pessoas acabam sendo capacitistas, muitas das vezes por desinformação sem ter o conhecimento do assunto, o que colabora para a persistência do capacitismo na sociedade.
Nessa perspectiva, a historiadora Hannah Arendt concebeu o conceito de “banalidade do mal” para definir o sutil ato de conviver com o mal e praticá-lo sem perceber, banalizando-o. Dito isso, minimizar a capacidade do outro, tratar a deficiência como uma doença, são alguns dos atos preconceituosos que foram banalizados pela sociedade. Aliado a isso, criasse uma ideia torta de que as pessoas que têm alguma limitação são inferiores daquelas que não possuem. Assim, as pessoas com deficiência enfrentam muito o preconceito no dia a dia, visto que as pessoas ainda tratam isso como algo irrelevante, sem muita importância e por isso esse assunto precisa ser mais valorizado entre as pessoas.
Diante dos fatos supracitados, conclui-se que a persistência do capacitismo é resultado de desinformação sobre as habilidades das PcD e o preconceito intricado na sociedade. Diante disto, é imperioso que o Ministério da Educação promova seminários, por meio das plataformas digitais, com o intuito das pessoas terem conhecimento sobre esse assunto. Desse modo, o capacitismo poderá ser menos presente na sociedade ao passar dos anos.