Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 09/02/2021

Durante o final do século 19, foi criado o movimento eugenista, que defendia que apenas pessoas inteligentes e sem deficiências poderiam se reproduzir, com o objetivo de aprimorar a “raça”. É, então, possível perceber nesse movimento uma grande discriminação contra portadores de deficiências, denominada capacitismo. No Brasil, o capacitismo ainda é uma realidade e são encontrados diversos desafios para o seu combate. Entre esses desafios, está a falta de normalização das deficiências, causada pela baixa evidência dada, nos meios de comunicação, aos grupos de portadores de problemas físicos e mentais.

Primeiramente, a maioria dos meios de comunicação atuais não apresentam portadores de deficiências ao público, e, quando apresentam, na maioria dos casos é dada uma conotação negativa para a deficiência. Por exemplo, em um relatório feito pela Ruderman Family Foundation, onde foram analisadas 280 séries de TV norte-americanas entre 2016 e 2018, apenas metade delas apresentavam personagens deficientes, e a deficiência era sempre mostrada como algo limitador ou indesejado. Apesar dessas séries serem norte-americanas, elas influenciam na cultura brasileira, visto que os brasileiros consomem a cultura norte-americana no contexto atual de globalização. Podemos, então, perceber que os meios de comunicação não evidenciam as pessoas portadoras de deficiência.

Assim, essa condição dos meios de comunicação leva a uma falta de normalização dos problemas físicos e mentais. Por conta da população deficiente ser uma minoria, grande parte da sociedade brasileira “normal” não entra em contato com um portador de deficiência no cotidiano, e os meios de comunicação, que poderiam sanar esse problema apresentando pessoas deficientes em suas programações, não tentam reforçar esse contato. Então, essa falta de contato acaba levando a uma baixa normalização das deficiências e causando o capacitismo, já que as pessoas passam a não ter noção das capacidades de um deficiente e, muitas vezes, acabam as subestimando.

Portanto, um dos principais desafios no combate ao capacitismo no Brasil é a falta de evidência dada aos deficientes nos meios de comunicação. Para resolver esse problema, é necessário que o governo federal crie uma lei que, por meio de redução de impostos, incentive as empresas de comunicação, como emissoras ou rádios, a contratar mais pessoas portadoras de deficiências. Dessa forma, seria aumentada a participação de deficientes nos meios de comunicação, o que levaria a uma normalização das deficiências e reduziria o capacitismo, ajudando na criação de uma sociedade mais humana e acolhedora para com as minorias.