Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 13/02/2021

No filme “300”, ambientado na Grécia Antiga, a questão do capacitismo é colocada em evidência. Nesse contexto, o longa-metragem mostra como os espartanos desprezavam as pessoas que tinham algum grau de deficiência, as quais eram mortas nos primórdios de suas vidas. Paralelamente a esse fato histórico, no Brasil, essa raiz cultural do Ocidente ainda permanece fixada na conduta dos brasileiros, haja vista que agem com preconceito e com segregação em relação aos deficientes.

De início, é importante destacar que essa cultura do desprezo às pessoas portadoras de alguma deficiência, dramaticamente, ocasiona a prática de preconceito da sociedade a esse grupo social. Nessa lógica, tais atos discriminatórios são gerados a partir da criação de um padrão estético em que somente os indivíduos que não possuem algum tipo de limitação corporal, funcional, como a deficiência física, são ditos “normais”. Todavia, os que não se encaixam nessa padronização, indubitavelmente, tornam-se invisíveis aos olhos dos demais. Na rede televisiva norte-americana “Discovery”, por exemplo, é ilustrado um documentário que revela casos de crianças brasileiras com anormalidades físicas, as quais são separadas dos colegas de escola por possuírem uma condição peculiar. De fato, essa cena escancara a triste realidade do capacitismo no Brasil.

Nesse sentido, tal invisibilidade pode explicar a segregação social dos deficientes feitos pela população brasileira. Isso é efetuado por meio da ausência da acessibilidade aos deficientes nos espaços públicos e privados das cidades. Uma vez que não há o apoio das iniciativas estatais e privadas em oferecer dignamente plataformas especiais para deficientes - as quais são essenciais na facilitação de locomoção de deficientes físicos, por exemplo -, esses cidadãos ficam a mercê do descaso generalizado dos compatriotas e autoridades. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 45,6 milhões de brasileiros possuem algum tipo de anormalidade. Dessa forma, cabe ao Estado oferecer auxílio a essa significativa parcela populacional.

Diante do exposto, para promover a inclusão social dos deficientes, é dever do Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, investir em infraestrutura adequada a todas as pessoas portadoras de deficiências, em todos os locais públicos da nação. Além disso, o Ministério da Justiça deve obrigar todos os donos de estabelecimentos particulares a oferecerem condições necessárias para a livre e ajustada locomoção desses indivíduos; caso contrário, serão punidos com multas graves. Com isso, tais medidas beneficiarão todos os cidadãos deficientes, além de combater a problemática do capacitismo no país.