Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/02/2021

De acordo com Umberto Eco, “para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Porém, infelizmente, a citação de Umberto torna-se contraditória no contexto social brasileiro, uma vez que há diversas atitudes capacististas contra pessoas com deficiência na contemporaniedade, ações intolerantes com limites ainda inexistentes no Brasil. Nesse sentido, a problemática é agravada devido a um legado histórico e à lenta mudança na mentalidade social em torno do assunto.

Nessa perspectiva, há a questão do passado histórico. Tal como George Santayana afirmou: “Aqueles que não conseguem lembrar do passado estão condenados a repeti-lo”. Assim, é possível retomar a herança histórica do século XIX envolvendo pessoas com deficiência, as quais eram mantidas em circos para os chamados “freak shows” (show de horrores), onde suas particularidades físicas ou mentais eram vistas como piadas e entreterimento. Deste modo, os resquícios dessa época repulsiva de intorlerância aparecem em forma de comentários e atitudes preconceituosas, feitos por pessoas não dispostas a relembrar um terrível passado de exclusão.

Além disso, outra causa para a configuração do problema é a lenta mudança na mentalidade social quanto ao tema. Segundo Simone de Beavoir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”. Dessa maneira, é viável dizer que as pessoas ainda não possuem consciência da responsabilidade que tem umas em relação às outras quando se trata de capacitismo, pois se consideram seres totalmente diferentes ao olharem para indíviduos com particularidades físicas ou mentais, e não os reconhecem como membros sociais os quais possuem autonomia, desejos, sonhos, e etc. Com isso, a solução da problemática é dificultada, devido a essa mentalidade intolerante e enraizada.

Diante disso, medidas devem ser tomadas. Para isso, as grandes mídias deveriam, por meio de novelas e séries voltadas especificamente ao tema, demonstrar ao público a maneira terrível como eram tratadas, no passado, pessoas com deficiência ao redor do mundo e no Brasil, a fim de causar impacto e reflexão no telespectador. Ademais, ONG’s deveriam fornecer campanhas e palestras a respeito de exemplos de palavras e diálogos, os quais rementem ao capacitismo, usados no cotidiano, com o objetivo de alterar, aos poucos, as raízes preconceituosas presentes no vocabulário brasileiro. Em suma, os limites da intolerância serão impostos em prol de uma nação mais tolerante.