Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 03/03/2021

Em “O caso do pintor daltônico”, na obra “Um antropólogo em Marte” de Oliver Sacks, é narrado a história de um homem de 65 anos apaixonado por pintura que, após um acidente de carro, se torna daltônico. O livro apresenta ao leitor como o ser humano, apesar de certa exclusão,  consegue se adaptar em diversas situações, mesmo com doenças crônicas e neurológicas. Semelhante a obra, nos dias atuais é visto uma alta concepção capacitista impregnada no convívio de indivíduos, uma vez que pessoas portadoras de deficiência são vistas como inferiores e incapazes de realizar determinadas tarefas. Com efeito, problemas como o preconceito enraizado e a exclusão social se tornam comuns na convivência humana e devem ser progressivamente esquecidos, de modo que a sociedade se torne um lugar de bem-estar e acolha todos os cidadãos.

Em primeira análise, o preconceito com pessoas com necessidades especiais, historicamente, não é atual, isso porque a discriminação sempre se fez presente e muitas vezes é tratada pelos indivíduos como um estado indesejado e totalmente limitador. Prova disso, é o fato de que na Grécia Antiga era pregada a extrema perfeição física do homem, e recém-nascidos, tomados como incapacitados, eram abandonados por não atenderem as expectativas de alguém “perfeito”. Infere-se, por conseguinte, que o capacitismo não deve ser naturalizado e as diferenças biológicas devem ser respeitadas.

De maneira análoga, hodiernamente, a falta de investimentos para maior acessibilidade de profissionais deficientes também é extrema. A carência da inclusão de equipamentos especiais, principalmente em escolas e locais públicos, aumenta ainda mais a exclusão social, uma vez que é passado uma ideia errônea de que pessoas com necessidades físicas sempre são privadas de realizarem atividades pela falta de adaptação. Em virtude disso, é visto que não há busca por desenvolvimentos básicos para inclusão, e cada vez mais estigmas são deixados na vida cotidiana desprezando-se o  bem individual.

A fim de resolver os problemas de preconceito, bem como o da exclusão social, medidas devem ser tomadas. É necessário que o Estado, por intermédio do Ministério da Educação, faça palestras em escolas desde o ensino fundamental que busquem levar mais informações acerca de características biológicas que uma pessoa pode desenvolver, além disso, professores de biologia devem ser instruídos a ensinarem sobre o funcionamento do corpo humano e suas particularidades. A falta de inclusão, por sua vez, deve ser abordada por investimentos do Estado para a construção, em locais públicos,  de todos os tipos de equipamentos necessários para que todas as pessoas exerçam atividades comuns. Deste modo, como na obra de Oliver Sacks citada a priori, não se perguntaria mais ao indivíduo que doença ele tem, mas que indivíduo a doença tem.