Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 15/03/2021

No livro “Utopia”, de 1516, o filósofo Thomas Morus propõe uma sociedade ideal e perfeita. Nela, pontua-se a ausência de conflitos e de adversidades, o que vem, desde então, inspirando as civilizações ocidentais. Contudo, os desafios para o combate ao capacitismo têm feito o Brasil se afastar desse lugar utópico. Nesse prisma, é necessário analisar os aspectos políticos e sociais que envolvem a questão no país.

Nesse contexto, sabe-se que de acordo com a “Constituição Cidadã”, promulgada pelo governo de José Sarney, em 1988, todos os cidadãos possuem o direito de ir e vir. É observado, no entanto, a inoperância de tal preceito da Carta Magna, tendo em vista que as pessoas que possuem alguma deficiência têm, frequentemente, dificuldades ao acessar determinados lugares em virtude da ausência de rampas, elevadores, indicadores em braile e banheiros adaptados. Essa lamentável situação corrobora a exclusão dessa parcela da população, que se encontra limitada ao exercício da cidadania, tendo dificuldades para estudar, trabalhar e consumir. Logo, percebe-se que a Mãe Gentil, vide o Hino Nacional, é incoerente, uma vez que os indivíduos que apresentam deficiência não são tratados como seres detentores de direitos.

Além disso, pode-se inferir que segundo a teoria do “Habitus”, do filósofo Pierre Bourdieu, as ações dos indivíduos são guiadas pela forma que eles percebem o mundo social ao seu redor. Dessa forma, entende-se que o “Habitus” brasileiro é guiado pelo capacitismo, que faz referência à visão inferiorizada e de vitimização que as demais parcelas da população têm em relação a aqueles que possuem deficiência. Essa questão pode ser observada, ocasionalmente, na indústria cinematográfica, como no filme “Como eu era antes de você”, em que o protagonista Will, paraplégico, tem a sua vida retratada de forma depreciativa ao lidar com a sua deficiência, levando-o a recorrer à eutanária. Fora das telas, como efeito, é observada a segregação dessas pessoas, o que urge mitigação.

Torna-se evidente, portanto, que, para que os desafios para o combate ao capacitismo no Brasil sejam solapados, medidas exequíveis são necessárias. É imprescindível, nesse sentido, que o Governo invista na construção de mais recursos adaptativos nos locais públicos, por meio de verbas oriundas do combate à corrupção - como a Operação Lava-Jato, com o fim de garantir o fácil acesso e o execício da cidadania. Ademais, é mister que a mídia, com seu elevado poder de persuasão, divulgue campanhas que retratem as pessoas com deficiência em situações cotidianas, por intermédio dos grandes canais de telecomunicação, com o fito de mitigar a visão vitimista e inferiorizada que o grupo sofre. Assim, o Brasil aproximar-se-á da utopia idealizada por Thomas Morus.