Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 26/03/2021
Na obra “Extraordinário”, a escritora RJ Palacio expõe as inseguranças e os desafios de um personagem com a síndrome de “Treacher Collins”, na qual leva ao deformamento do rosto. Logo, essa história evidencia a realidade de diversas pessoas portadoras de alguma deficiência, posto que elas sofrem diariamente com discriminações e violências psicológicas e morais. Ademais, a persistência desse deplorável cenário deve-se à falta de projetos de inclusão por parte do governo federal e à visão da sociedade brasileira de que esses indivíduos são inferiores e incapacitados. Dessa forma, é inexorável a análise dessa conjuntura com o intuito de combater o capacitismo no Brasil.
Em primeira análise, convém ressaltar que os deficientes são vítimas de preconceito desde os primórdios da humanidade, sendo, portanto, algo enraizado na sociedade global. É possível perceber o citado no livro “A Política”, do filósofo Aristóteles, que trata os aleijados como um empecilho para o desenvolvimento das cidades gregas e que esses deveriam ser eliminados. Entretanto, ao passar dos anos, essas pessoas passaram a ganhar direitos e autonomia, mas ainda assim são marginalizados e privados de liberdade.
Em segunda análise, a Constituição federal de 1988 assegura, aos brasileiros com limites físicos, a promoção do tratamento igualitário entre cidadãos. Todavia, é totalmente notório que esse direito é deturpado, visto que o sistema público educacional muitas vezes não possui ambientes e profissionais adequados para recepcionar jovens com necessidades especiais. Outrossim, um estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira relatou que houve um aumento de 10,8% de matrículas desses nas escolas entre 2017 e 2018, porém, ainda é considerado um número pequeno.
Verifica-se, então, a necessidade da inclusão dos deficientes na sociedade brasileira. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação invista na infraestrutura das escolas e no treinamento dos educadores, por meio da construção de ambientes de fácil acesso e da disponibilização de cursos de Língua Brasileira de Sinais e de como lidar com portadores de necessidades especiais, com o intuito de ter a democratização da educação. Desse modo, deficientes também poderão estudar nos mesmos ambientes que os demais jovens. Paralelamente a isso, é de suma importância que a mídia auxilie no fim da discriminação das pessoas com deficiência, através de propagandas que mostrem que eles são tão capacitados quanto outros seres humanos, com o objetivo de conscientizar a população e ajudar na integração desses indivíduos.