Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 29/03/2021
Como uma pauta sobre a exclusão de um grupo, os assuntos sobre capacitismo nunca receberam tanta atenção. Isto é perceptível pela forma como a luta contra este preconceito é dificultada por ele se encontrar enraizado nas pessoas e por como, apesar de ter boas intenções, muitas pessoas procuram formas de incluir pessoas com deficiência que acabam sendo capacitistas.
A ideia de pessoas sem deficiência serem superiores à pessoas com deficiência está tão implantada na sociedade que se é capaz de identificá-la facilmente na fala. A palavra “retardado” ou a expressão “fingir demência” são claramente capacitistas, mas são ditas por muitas pessoas praticamente todos os dias e poucas percebem o quão prejudicial isto é. Este cenário é agravado pela naturalidade que piadas sobre pessoas que sofrem de deficiências visuais, auditivas e cognitivas são reproduzidas, o que apenas ridiculariza e reforça os estereótipos negativos sobre pessoas com deficiência.
Além disso, o capacitismo arraigado na sociedade limita o conhecimento sobre as formas de luta contra este preconceito e, por isso, muitos tentam ajudar de formas erradas. O que muitos que pretendem apoiar a causa fazem é acreditar que aqueles que eles querem ajudar são incapazes de se defenderem, ou seja, tratam pessoas com deficiência como incapazes. A crença de que alguém com autismo, por exemplo, não é capaz de viver por si só por sempre precisar de ajuda contribui para que este indivíduo seja tratado como dependente de outras pessoas pelo resto de sua vida.
Em conclusão, a maior limitação que a causa contra o capacitismo enfrenta é a ignorância da população acerca do assunto. É essencial que informações sobre pessoas com deficiência e como ajudá-las se tornem o mais acessíveis possíveis, pois assim muitas pessoas serão capazes de apoiar a luta e quebrar os estigmas que envolvem aqueles que querem apenas estar incluídos na sociedade.