Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 29/03/2021
O conceito do capacitismo está relacionado com a temática do corpo por uma ideia de padrão corporal perfeita; também sugere um afastamento da capacidade e da aptidão dos seres humanos, em virtude da sua condição de deficiência. Entretanto, esse tipo de comportamento não está enraizado nas pessoas, mas foi introduzido nas mesmas pela educação social atual que reforça que apenas pessoas perfeitas são consideradas “normais” e capazes de realizar as tarefas cotidianas. É como disse Rousseau, “A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e o torna miserável".
Primeiramente, é válido destacar que o conceito do capacitismo, segundo a escritora Leandra Migotto para o portal AzMina, “está associado com a produção de poder e se relaciona com a temática do corpo por uma ideia de padrão corporal perfeita; também sugere um afastamento da capacidade e da aptidão dos seres humanos, em virtude da sua condição de deficiência.” Essa padronização corporal leva as pessoas a acreditarem que de fato existe um padrão de beleza e perfeição e faz com que as mesmas intencionalmente ou não, julguem como incapazes e subestimem todos que não se encaixam no padrão.
Embora haja a lei 13.146, de 6 de julho de 2015, que prevê em seu artigo 4º que “toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação”, ela não consegue impedir por completo o preconceito e a discriminação que a muito já está enraizado no comportamento da sociedade atual. Quem nunca ofereceu uma ajuda não solicitada à um deficiente, partindo-se do princípio que ele não conseguiria realizar aquela tarefa simples? São pequenos comportamentos e falas como a citada anteriormente que são os mais comuns, muitas vezes a pessoa que ofereceu a ajuda nem tem a consciência de que sua intenção não parte apenas do princípio de querer ajudar, mas também de um conceito introduzido pela sociedade ao longo de sua vida de que apenas pessoas sem deficiências podem realizar tarefas comuns. E, como mostrado em um cartum de Ricardo Ferraz, quando uma pessoa sem os braços, por exemplo, é vista utilizando dos recursos que tem para utilizar um computador as pessoas ao seu redor são tomadas por sentimentos como surpresa e talvez até descrença.
Torna-se evidente, portanto, que é preciso quebrar o conceito de que apenas pessoas que não apresentam nenhum tipo de deficiência são capazes de realizarem atividades consideradas comuns. Para isso acontecer, a Secretaria Estadual de Saúde deveria promover uma divulgação sobre o capacitismo através dos meios de comunicação como a televisão para que as pessoas comecem a ter uma maior consciência de seus atos e falas.