Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 05/04/2021
Na obra “Utopia”, do autor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa no Brasil, é o oposto do que o autor prega, em decorrência dos desafios para o combate ao capacitismo, situação que existe devido ao preconceito e a omissão do Estado. Assim, hão de serem analisados tais fatores para mitigá-los de maneira eficaz.
É primordial ressaltar que o culto a padronização corporal, característica da sociedade pós-moderna, estimula o preconceito contra diferentes biótipos. Segundo o filósofo Foucault, em sua obra, reflete sobre o fato de que nossos corpos são moldados para servir os propósitos do sistema no qual vivemos. Nesse sentido, hoje, o padrão corporal considerado ideal pela sociedade não é facilmente alcançado, suscitando em um corpo social frustrado, tendo como consequência o aumento do capacitismo, advindo de um sentimento de inferioridade de uma parcela da população por não reproduzirem um arquétipo de estética. Logo, evidencia-se a premência de desmistificar o conceito de subalternidade às pessoas deficientes.
Ademais, a falta de medidas efetivas de inclusão social revela a omissão do Estado. De acordo com a Constituição Federal, de artigo número 5, o Princípio da Isonomia, garante igualdade a todos perante a lei. Entretanto, ao se deparar com alguém que a sociedade considera diferente, a maioria dos indivíduos tende a ignorá-lo. Portanto, ocorre a imobilização dos deficientes, o que resulta em descaso com seus direitos e desrespeito às normas que o protegem. A precariedade ou, até mesmo, inexistência de sistemas de piso tátil, semáforo sonoro ou rampas de acesso são fatores que manifestam esse descaso. Assim, mudanças coerentes com esse cenário são imprescindíveis.
Torna-se evidente, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para resolver tal problemática. Nessa perspectiva, é imperiosa uma ação do Ministério da Educação que deve promover nas escolas por meio de campanhas de conscientização, aula educativas, principalmente com a presença de portadores de deficiências, a fim de estimular o pensamento crítico na sociedade, o que evita o início de preconceitos. Ademais, o Governo Federal, juntamente ao Ministério do Desenvolvimento Regional, deve implementar um planejamento estratégico eficiente, por meio de investimentos na qualificação das estruturas de mobilidade urbana, com o fito de garantir a inclusão social. Assim, atenuar-se os impactos nocivos do capacitismo, e a coletividade alcançará a Utopia de More.