Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 07/04/2021
Capacitismo é um forma de preconceito que tem como base o julgamento da capacidade de outros seres humanos. Atualmente, no Brasil, isto é algo muito comum e recorrente, mesmo diante das várias conquistas de direitos aos deficientes. Deste modo, vale destacar como isto ocorre tanto de forma direta e pejorativa, como também, de forma indireta e inocente.
Em primeiro lugar, vale destacar a forma pejorativa de como muitas doenças mentais, tais como o autismo ou a demência, são atribuidas como formas de insultos modernos ao próximo, fato que pode ser facilmente observado nas redes sociais; por exemplo, uma pessoa que comete um erro é questionada se ela é ‘‘autista’’ ou ‘‘retardada’’. Sob essa ótica, na Teoria da Carnavalização, do filósofo e linguista Mikhail Bakhtin, é tratada a maneira de como a sociedade consegue transformar um objeto em algo cômico. Dessa maneira, quando aplicada aos deficientes, a sociedade humilha-os e ridiculariza-os ao associar suas doenças como formas de insultos ou de chacotas modernas.
Por outro lado, algumas vezes o capacitismo acaba sendo cometido de maneira inocente. Exemplo disso é o esteriótipo do deficiente ser considerado um ‘‘herói’’, ou um modelo de superação, por muitos. Na verdade, isto não passa de mais um tipo de preconceito, afinal, é colocado como forma de julgamento a capacidade limitada de uma pessoa em realizar certa tarefa, e que esta ao superar sua capacidade limitadora, e realizar o que um ser humano não deficiente consegue, deva ser considerada um herói. Com isto, é criado o estigma cruel, de maneira inconsciente, que toda pessoa deficiente deve se conformar com a ideia de que o mundo não foi feito para ela, e que ela deve sempre fazer esforços sobrehumanos para conseguir os mesmos resultados de uma pessoa sem deficiência.
A partir do que foi discutido, percebe-se, então, que o capacitismo pode ser cometido tanto de maneira inocente, como pejorativa. Dessa maneira, deve ser passada a ideia de que os deficientes são pessoas como quaisquer outras, e que eles não necessitam de pena, apenas de respeito. Com isto, cabe ao governo em realizar programas de inclusão social, que busquem incluir o deficiente em vários setores sociais; desse modo, é criado uma maior convivência da população geral, com os deficientes. Em paralelo, devem ser realizadas campanhas que visem educar a população sobre os deficientes, e que busquem transmitir a ideia de que eles são capazes de realizar tarefas, mesmo com dificuldades, porém, não necessitam de pena, apenas de respeito. Assim, uma maior convivência da sociedade com os deficientes no dia a dia, somado a campanhas educacionais sobre eles, podem se tornar um grande passo para combater o capacitismo no Brasil.