Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 08/04/2021

Em um dos capítulos do livro “Mentira perfeita”, da autora Carina Rissi, o personagem Marcos vai até um hospital para levar a avó de sua ex-namorada para ser atendida, mas acaba sendo confundido, pelos enfermeiros, como a pessoa a precisar de atendimento por ser deficiente físico. Paralelamente à realidade brasileira, muitas pessoas com deficiência são associadas, de forma errônea e preconceituosa, a pessoas doentes, sendo esse quesito apenas um dos desafios a serem combatidos em relação ao capacitismo no Brasil, devido à lacunas governamentais e escolares.

Em primeiro lugar, é necessário analisar que existem lacunas governamentais, no  tratamento e na incersão de pessoas com deficiência na sociedade, que impedem o combate do capacitismo. Sob esse viés, é possível destacar os déficits em políticas que busquem a inclusão efetiva dos indivíduos que sofrem com alguma deficiência na sociedade e a excassez de programas que orientem e desmistifiquem pensamentos- como os associados a doença- baseados em preconceito voltados a esse grupo como aspectos desse fator. Assim, uma vez que, segundo a Constituição Federal, é dever do Estado assegurar à pessoa com deficiência a promoção do exercício dos direitos e liberdades fundamentais por meio da inclusão, é notório que isso não tem ocorrido, sendo preciso mudanças.

Em segundo lugar, cabe destacar também a existência de uma lacuna na formação escolar- desde o ensino primário- que cria barreiras ao combate do capacitismo no Brasil, uma vez que a escola é uma das bases de formação dos indivíduos para a vida em grupo. Nessa linha de pensamento, tendo em vista que, segundo o filósofo Locke, o ser humano é uma folha em branco que se preenche com influeências externas, fica evidente que a falta de aulas, palestras, jogos interativos e rodas de conversa- voltados a aceitação das diferenças e inclusão dos deficientes- colaborariam a essa questão, visto que os jovens não são levados a adquirem o conhecimento necessário para proporcionarem mudanças. Dessa forma, fica evidente que alterações devem ser realizadas.

Portanto, tendo em mente as falhas governamental e escolar, urge que o governo federal, em parceria com o Ministério da Educação, elabore projetos sociais voltados a inclusão e a garantia dos direitos dos deficientes, visando combater o capacitismo no país. Para isso, por meio do redirecionamento de verbas arrecadadas pela Receita Federal e seguindo os principios estabelecidos pela Carta Magna, investimentos em projetos públicos e escolares, que tratem dos diferentes tipos de deficiências e desmistifiquem a visão social sobre o assunto, devem ser feitos, sendo disseminados nos meios de comunicação de massa- como redes sociais, televisão e rádio- e em aulas de sociologia- desde o Ensino Fundamental I- para evitar situações como a do Marcos.