Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 08/04/2021
O filme “Extraordinário” retrata a história de Auggie, criança a qual possui uma deformidade facial que ao longo da narrativa motiva diversos preconceitos. Não distante da ficção, atitudes capacitistas se mostram recorrentes no cotidiano social. Nesse sentido, a falta de ações inclusivas para pessoas com deficiência (PcD) e os alicerces preconceitos da sociedade representam desafios para o combate do capacitismo no Brasil. Dessa forma, é imperioso o debate acerca dessa problemática, em nome da dignidade das PcD.
Nesse contexto, a ausência de iniciativas inclusivas para as pessoas com deficiência demonstram obstáculos para o fim do capacitismo. Sob esse prisma, os versos de Drummond “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho” evidenciam os obstáculos que surgem ao longo da vida. Nesse viés, a falta de ações que incluam as PcD nos cenários sociais, como a falta de rampas para cadeirantes ou intérpretes de libras para surdos, representam “pedras” no caminho do combate ao capacitismo. Além disso, a carência nas infraestruturas de acessibilidade para indivíduos com deficiência, propicia a exclusão dessas pessoas, além da diminuir suas interações com o resto da sociedade, o que ocasiona o estranhamento do convívio. Com isso, há o aumento da incidência do capacitismo, dificultando a inclusão das PcD.
Outrossim, o parâmetro já preconceituoso existente na sociedade, retrata outro desafio na superação do capacitismo. Sob essa ótica, Antonio Quinet, em seu livro “Um olhar a mais”, defende que a sociedade é medida pelo olhar. Analogamente, o olhar capacitista da população em relação às pessoas com deficiência, contribui para que casos de descuido, desrespeito e negligência se tornem frequentes com as PcD. Ademais, a associação de deficiência com incapacidade por parte da população, sustenta estereótipos que invalidam as opiniões e falas de pessoas com deficiência, geram discrepância nas oportunidades de emprego e menosprezam as habilidades dessas pessoas, segundo o IBOPE inteligência. Desse modo, ocorre o aprofundamento dos ideais capacitistas na sociedade, a partir de seus ideais, o que dificulta o seu fim.
Infere-se, portanto, que a falta de ações inclusivas para PcD e os preconceitos da sociedade são desafios para o combate do capacitismo no Brasil. Diante disso, é imperioso que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos promova estratégias para incluir as PcD e por fim aos ideais capacitistas da sociedade, mediante reformas e construções mais acessíveis e de palestras públicas que visem a desconstruir estereótipos acerca das deficiências, com o fito de combater o capacitismo no Brasil. Assim, situações como a retratada no filme “Extraordinário” poderiam deixar de acontecer.