Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 12/04/2021
São Tomás de Aquino acreditava que: “todas as pessoas devem ser tratadas com a mesma importância”. Percebe-se, nesse sentido, que não é o que ocorre, uma vez que somente 1% dos brasileiros com deficiência (PcD) estão no mercado de trabalho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que indica uma desvalorização e um menosprezo com essas pessoas. Por isso, torna-se necessário o debate acerca dos desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil. Assim, pode-se dizer, que a má influência midiática e a insuficiência legislativa são os principais responsáveis pelo quadro.
A priori, é imperioso destacar que a exacerbação do capacitismo é fruto da má influência midiática. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao observar que os grandes veículos de mídias, como novelas e minisséries retratam histórias menosprezando pessoas com deficiência. Pode-se usar de exemplo a telenovela “Insensato Coração”, da rede Globo, que há a retratação de capítulos capacitistas a fim de alívio cômico, disseminando, mais uma vez, uma onda de preconceito sobre o público PcD. Sendo assim, faz-se mister a alteração desse quadro que vai de encontro com a dignidade e direitos humanos desses indivíduos.
Outrossim, é imperativo pontuar que o descaso com a sociedade PcD deriva da insuficiência legislativa. Isso porque, há legislações - como a Lei nº 10.098, que se refere à imposição da acessibilidade em locais públicos, os quais devem possuir rampas e elevadores - que deveriam assegurar o direito dessas pessoas, no entanto, não é o que ocorre. Ora, se o governo não se preocupa com o acesso dessa parte da população em lugares públicos, entende-se, assim, o porquê da continuação do imbróglio. Desse modo, é substancial a fiscalização de acessibilidade nos municípios.
Depreende-se, por conseguinte, a necessidade de se combater alguns dos desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, inserir, nas escolas, desde a tenra idade, a disciplina de Respeito ao Próximo, fomentando a importância de não disseminar preconceito contra deficientes, de cunho obrigatório em função da sua necessidade, além de difundir campanhas instrucionais por meio das mídias de grande alcance, para que o capacitismo seja reduzido e não seja visto como alívio cômico para entretenimento. Ademais, o Ministério Público deve impor sanções, por meio de denúncias e fiscalizações, a estabelecimentos públicos que não possuírem acesso à cadeirantes, para que não haja mais a ocorrência da insuficiência legislativa. Quiçá, assim, tal hiato reverter-se-á e também haja concordância com São Tomás de Aquino.