Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 26/04/2021
Na Grécia Antiga, especialmente em Esparta, os bebês que nasciam com algum tipo de deficiência eram rejeitados e mortos, pois contrariavam a corponormatividade da época. Não distante realidade, percebe-se que, no Brasil hodierno, prevalece uma visão capacitista, a qual exclui do corpo social as pessoas com deficiência física, mental ou cognitiva, as quais não se encaixam no “corpo normal”. Desse modo, é necessário combater esse problema, que acontece não somente pela negligência do poder público, como também pela falta de apoio midiático.
Sob essa ótica, vale ressaltar que o Estado não cumpre o seu papel como mantido do bem-estar social, dever explícito na Carta Magna brasileira de 1988. Isso é evidente porque a discriminação contra a população com deficiência prevalece devido a falta de políticas públicas que promovem a acessibilidade desse público a espaços coletivos, como escolas e hospitais. Assim, o direito de ir e vir não é concretizado na prática por esses obrigados e, consequentemente, a aceitação social torna-se mais difícil.
Ademais, é profícuo considerar o papel da mídia brasileira no combate ao capacitismo. Se há escassez de visibilidade das pessoas com deficiência em séries, filmes e novelas, por exemplo, então o capacitismo é reforçado na sociedade. Consoante a ideia do psicólogo social Gustave Le Bon, a mídia é responsável por influencia o pensamento e o comportamento dos obrigados. Nesse sentido, o ideal seria que as pessoas com algum tipo de deficiência, como o atleta paralímpico Daniel Dias, ganhassem mais notoriedade na televisão para suprimir o estereótipo de incapacidade desses cidadãos.
Infere-se, portanto, que o capacitismo é um imbróglio nacional que deve ser combatido. Logo, o Governo Federal deve investir em políticas públicas que garantam o acesso aos locais públicos, além de promover campanhas - feitas por pessoas cegas, surdas, com limitações físicas ou neurológicas - por meio de aparatos midiáticos, com o intuito de propiciar uma mudança na mentalidade social e os respeitos a esses cidadãos. Somente assim, a corponormatividade não aceita no território nacional.