Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 22/04/2021
O filme “Intocáveis” retrata o cotidiano de um milionário que ficou tetraplégico após um acidente. Além dos desafios que ele tem que enfrentar, o capacitismo se torna o mais recorrente, pois, ele é tratado como incapaz e lida com a ausência de vínculos emocionais por não se sentir bem consigo mesmo. Análogo a isso, esse cenário se reproduz na vida cotidiana de muitos deficientes brasileiros que não se sentem representados e incluídos na sociedade. Nesse sentido, faz-se necessário a análise dos fatores que favorecem essa problemática.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que a intolerância e a exclusão vivenciadas por portadores de alguma doença acontece desde as primeiras civilizações, onde todos os nascidos com deficiência eram atirados de penhascos por serem considerados inúteis para a sociedade. No entanto, a baixa atuação dos setores educacionais agrava ainda mais a situação atualmente, visto que, de acordo com a filósofa francesa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”, ou seja, o capacitismo sempre esteve presente, porém não é visto na educação brasileira ideais inclusivos e mecanismos que desestigmatizem essa ideia e garantam o desenvolvimento social e profissional dos deficientes, habituando-se a ideia de incapacidade.
Ademais, é imperativo apontar a negligência governamental, no que diz respeito a medidas efetivas de inclusão. Dessa forma, a violência física e verbal, a falta de fiscalização e de meios que permitam a melhor convivência em sociedade, de acordo com as condições dos deficientes, retardam a solução da problemática e contribuem para que o cenário continue a perdurar. Nessa perspectiva, isso vai contra o pensador Thomas Hobbes, que afirma que o estado é responsável por garantir o bem estar da população. Torna-se, então, evidente que o estado não cumpre totalmente o seu dever.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater esses obstáculos. Sendo assim, é de extrema importância que o Tribunal de Contas da União direcione capital, por intermédio do Ministério da Educação, para ser revertido em palestras de conscientização e na inclusão dos deficientes no meio acadêmico, a fim de desenvolver o altruísmo e substituir a ideia de incapacidade. Paralelamente, o Ministério da Justiça e Segurança pública deve aumentar a fiscalização e promover, junto à imprensa midiática, campanhas virtuais, com o objetivo de divulgar informações que incentivem a solidariedade e a diminuição de preconceitos. Somente assim, haverá uma sociedade mais igualitária, onde o estado desempenha sua função de forma correta como prevê Hobbes.