Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 01/07/2021

Na Antiguidade, o infanticídio era recorrente sempre que a criança nascia com algum tipo de deficiência, pois estes eram julgados como menos capazes em sociedades que valorizavam a guerra e as capacidades físicas, a exemplo de Atenas e Esparta. No Brasil hodierno, a prática homicida não é mais comum, mas os deficientes ainda enfrentam desafios para lutar contra o capacitismo, como a violência simbólica e a falta de representação.

Em primeiro lugar, um dos impasses para o combate à essa forma de discriminação é o preconceito histórico e intrínseco à sociedade. Segundo o sociólogo francês Pierre Bordieu, a violência simbólica é a opressão social que se dá por meio de símbolos, isto é, sem necessáriamente o uso da força. Sob esse viés, percebe-se que o capacitismo configura-se como essa repressão figurativa socialmente enraizada, em que acredita-se que os deficientes são fisicamente e até mentalmente inferiores, assim como na Antiguidade Clássica.

Além disso, a falta de espaço e representatividade nos meios de comunicação é outro desafio para o embate ao capacitismo. Um exemplo desse fato é a diferença nas horas de transmissão dos Jogos Olímpicos e das Paralimpíadas, que por vezes são mostradas em pequenas inserções nos programas de esportes ou jornais. Dessa forma, observa-se o tratamento diferenciado que os indivíduos que possuem algum tipo de deficiência têm, pois eles não estão presentes nem são representados como deveriam, de forma que não é possível que se conheça nem se desmistifique a deficiência.

Por conseguinte, com o objetivo de visibilizar mais a comunidade deficiente brasileira, é preciso que o Ministério das Comunicações - responsável pelos serviços de radiodifusão, internet e telecomunicações - incentive as grandes mídias de massa a relacionarem e darem espaço para os indivíduos deficientes, como jornalistas, atores, atrizes, cantores e influenciadores digitais. Isso pode ser feito por meio de programas, propagandas, telejornais e novelas que tratem do tema e discutam sobre a deficiência. Ademais, é imprescindível que as escolas insiram em sua rede de colaboradores pessoas com deficiência, pois assim, além de dar oportunidade, irá promover a diversidade em um ambiente formador de cidadãos, de forma a mitigar o preconceito.