Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 12/05/2021

O capacitismo, que consiste no preconceito para com pessoas com deficiência (PCD), é uma problemática muito presente na sociedade brasileira atual, e indubitavelmente deve ser combatido. Contudo, alguns fatores impossibilitam o embate eficaz de tal pensamento discriminatório, como por exemplo, a manutenção da ideia de “corpo normal”. Não obstante, a persistência em estereótipos capacitistas também contribui na perpetuação deste preconceito, o que ressalta a necessidade de combatê-lo.

Na Alemanha Nazista, uma das principais políticas sociais era a “Eugenia”, que consistia na ideia de que determinadas características genéticas eram superiores à outras, e por isso deveriam perpetuar, enquanto as ditas inferiores deveriam ser eliminadas: ainda que de maneira mais velada, a sociedade contemporânea segue preservando discursos de teor eugênico. De fato, a corponormatividade, ou seja, a ideia da existência de corpos “normais”, ainda é um fator muito presente no cotidiano brasileiro, como pode ser observado, por exemplo, na ausência de pessoas com deficiência nos grupos que “determinam” o padrão estético, como atores, modelos, etc, o que leva a deficiência a ser vista como algo negativo. Desse modo, a infeliz manutenção da corponormatividade contribui imensamente para a perpetuação do capacitismo na sociedade brasileira contemporânea.

Além disso, os estereótipos também auxiliam na preservação do capacitismo como “pilar” no contexto atual: em mídias como séries, filmes e novelas, a pessoa com deficiência é geralmente retratada como heroína (exaltaçao intensa da superação de obstáculos) ou coitada (infantilização e vista como inferior e digna de dó), duas representações problemáticas e incondizentes com a realidade de uma pessoa com deficiência. Esses estereótipos ajudam a manter o pensamento de que PCD não são capazes de se encaixar na sociedade, ou que para o fazê-lo, devem agir de maneira sobrehumana. Assim, a visão da comundiade perante pessoas com deficiência é deturpada por ideias incoerentes advindas de mídias com representatividade mínima ou falha, auxiliando novamente na manutenção do capacitismo.

Em síntese, muitos são os fatores que contribuem para a perpetuação do capacitismo, o que o faz um tópico de combate urgente. Para que a corponormatividade seja minimizada, é preciso que as emissoras televisas assegurem que os comerciais, novelas e seriados exibidos tenham um mínimo de 10% do elenco e produção compostos por PCD, por meio de legislações específicas que exijam tal percentual. Além disso, visando o fim dos estereótipos capacitistas, urge que o Ministério da Educação estimule a discussão em escolas e universidades, através de palestras, atividades e avaliações ministradas e aplicadas por pessoas com deficiência.