Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 07/06/2021

No filme “Fuja” a adolescente Chloe percebe estar sendo enganada por sua própria mãe, a qual a concede medicamentos que prejudicam sua saúde, ao tentar pedir ajuda, Chloe é ignorada, pois por conta de sua deficiencia acreditam que ela não tenha capacidade de entender a necessidade do medicamento. Embora o longa seja uma ficção, o capacistismo envolto na sociedade afeta diversos deficientes no Brasil, isso se deve tanto pelo preconceito da sociedade sobre portadores de deficiência quanto pela falta de representatividade de deficientes no meio midiático.

Em primeiro lugar convém destacar as atrações perturbadoras chamadas “freak shows” que faziam sucesso no século 19, que consistiam na exposição de pessoas com algum tipo de deformidade em circos e teatros para entreterimento da população. Infelizmente o desrespeito pela pessoa com deficiência é uma realidade que persiste na sociedade. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope, quase 70% dos portadores de deficiência entrevistados alegam ter sido vitimas de discriminação no trabalho, o que comprova o preconceito incentivado pelos “freak shows” que permanece até hoje.

Ademais, convém destacar o filme “Como eu Era Antes de Você” em que o personagem Willian, que se tornou tetraplégico após um acidente, relata em determinado momento, seu incômodo com os olhares desconfortáveis que recebe de desconhecidos ao passar de cadeira de rodas. Além da ficção o cenário não é diferente, uma vez que um dos grandes motivos do repúdio ao portador de deficiência na sociedade é a falta de referências do mesmo nas mídias sociais e televisivas. De acordo com uma pesquisa da ONU (Organização das Nações Unidas) a represantividade de pessoas com deficiência em campanhas piblicitárias chega a apenas 0,8%, o que confirma o descompromisso midiático em normalizar o deficiente no meio social.

Portanto medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, responsável pelas políticas para inclusão de grupos minoritários, realizar uma campanha em combate ao capacitismo por meio de projetos sociais educativos como palestras que discutem as consequências dessa discriminação, a fim de conscientizar a sociedade sobre as aversidades sofridas por portadores de deficiência em decorrência do capacitismo. Além disso, cabe às midias sociais e televisivas incluir em seu conteúdo, principalmente em campanhas publicitárias, pessoas portadoras de deficiência, com a finalidade de criar referências dos mesmos para a sociedade, evitando a discriminação e impedindo que o capacistimo continue a atormentar pessoas como Chloe do longa “Fuja”.